
A oposição votou contra o aumento de 7% da fatura da água em Braga para 2026. Após a proposta ter sido chumbada na Reunião de Câmara desta quarta-feira, João Rodrigues alertou de que a subida do preço está prevista no contrato de gestão delegada pela AGERE, tendo a votação sido anulada.
A proposta será novamente apresentada na próxima Reunião do Executivo para análise e nova votação.
Rui Rocha, vereador da Iniciativa Liberal, questionou o porquê do Executivo Municipal de Braga não ter aumentado a tarifa da água em 2025. “Nós ouvimos, nesta reunião, dizer que em 2025 as tarifas não foram atualizadas por decisão política. Ora, eu tentei perceber que decisão política é essa, mas qualquer um de nós pode presumir que isso foi feito porque havia eleições autárquicas em 2025. Portanto, o ponto fundamental político que há aqui a debater é se os tarifários de um serviço, como é o serviço de fornecimento de água, devem estar ou não dependentes de ciclos políticos. Porquê é que isso foi assim? Porquê é que agora em 2026 é preciso aumentar para repor, não só aquilo que seria o aumento normal de 2026, mas recuperar aquilo que não foi aumentado em 2025 por decisão política e eleitoral?”, perguntou o liberal.
Já Filipe Aguiar, do CHEGA, contestou o aumento da fatura, tendo referido que “é um aumento insustentável” e que “afeta a dobrar para os bracarenses”. “Hoje percebemos, nesta reunião, que houve um adiamento desse aumento porque houve eleições num passado recente e foi aqui um taticismo político na decisão de um momento progressivo. Neste momento, os bracarenses têm um aumento que, na nossa opinião, é demasiado, principalmente nas taxas fixas. Não conseguimos perceber o porquê desse aumento tão alto, daí que não podemos estar de acordo com uma situação em que houve uma tática política num passado recente e que agora é afetada a dobrar para os bracarenses”, contestou.
Por seu turno, Ricardo Silva, do Amar e Servir Braga, diz não concordar com o aumento de tarifa para as famílias numerosas e para as IPSS e que o movimento independente “não é responsável pelas decisões tomadas pelo anterior executivo”.
“Quando nós percebemos que até o próprio presidente não sabia que afinal vinha de uma deliberação de um executivo anterior e que agora nós é que seríamos comprometidos, isto não existe em lado nenhum, portanto, aquilo que nós queremos fazer valer é que nós somos contra o processo nesses moldes. A documentação diz que há um aumento de tarifa para as famílias numerosas e para as IPSS e nós não concordamos com isto. Se o anterior executivo concordava, isso é problema deles. Que sejam chamados ao banco do Tribunal, que sejam chamados a prestar declarações, eles que façam o que entenderem, mas isto não vincula a nossa posição. A nossa posição é muito clara. Nós somos pela defesa da família, somos pela defesa das instituições de solidariedade social e, portanto, continuaremos a acompanhar esta iniciativa de que queremos melhores condições e melhores benefícios para estas instituições e para acompanhar as famílias”, frisou Ricardo Silva.
Pedro Sousa, do Partido Socialista, falou que o anterior executivo “poderia ter aumentado as tarifas em 2025, mas adiou o aumento para um ano não eleitoral”. “Este aumento de tarifário que foi atrasado e alterado a sua votação em 2025, não é popular em ano eleitoral aumentar tarifários. Fica muito claro que a coligação ‘Juntos por Braga’ entendeu postergar o aumento da água e das tarifas de saneamento para um ano não eleitoral, havendo agora algo que podia ter sido repartido ao longo dos anos e representar um aumento mais marginal, ou seja, mais progressivo, havendo agora um aumento que vai entre 6% e 7%, num contexto difícil para as famílias e para o país”, explicou o vereador.
Para João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, “o adiamento da votação da proposta vai evitar criar problemas aos vereadores da oposição”, uma vez que “estavam a ir contra as instruções da ERSAR”.
“Eu acho que os vereadores da oposição devem estar muito agradecidos já que a proposta foi retirada. Iam ter grandes problemas nos próximos anos, não tenho dúvida nenhuma, porque estavam a ir contra as instruções de uma entidade reguladora para um setor público essencial como é a água. Como devem imaginar, é altamente fiscalizado e altamente controlado por outras entidades. Aquilo que Rui Rocha aqui fez hoje foi não cumprir aquilo que o seu próprio partido se tinha comprometido há um ano. Portanto ainda bem para os vereadores da oposição que o ponto pôde ser retirado”, finalizou o autarca.
Na Reunião de Câmara foi ainda aprovada a redução de 14% nos passes dos Transportes Urbanos de Braga e o aumento de 25% do preço do estacionamento à superfície na cidade.


