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Cabeceiras de Basto: D. José Cordeiro benzeu Capela de Nossa Senhora do Amparo em Faia

Património religioso.

© Rui Araújo

A comunidade paroquial de São Tiago da Faia, em Cabeceiras de Basto, em comunhão com as comunidades de Arco de Baúlhe e Nune, viveu um dos momentos mais significativos da sua história recente com a bênção da capela de Nossa Senhora do Amparo e a dedicação do seu novo altar, numa celebração presidida por D. José Cordeiro, Arcebispo Primaz de Braga.

“Num ambiente de profunda espiritualidade e alegria, o povo de Deus reuniu-se para testemunhar um gesto que ultrapassa a dimensão material da obra: um ato de comunhão, de fé viva e de esperança partilhada. A capela, agora renovada, ergue-se como sinal da presença de Deus no meio do Seu povo, espaço de encontro e de oração, onde cada pedra e cada raio de luz contam uma história de entrega e amor”, informou o Padre Rui Araújo, pároco de São Tiago de Faia.

“A remodelação da capela de Nossa Senhora do Amparo foi pensada em torno da centralidade do altar, símbolo por excelência da Eucaristia — o mistério maior da fé cristã. O novo altar e ambão, obra do atelier Amadeus, construídos a partir de raízes de oliveira, encerram uma simbologia de rara profundidade: aquilo que parecia inútil ou descartado ganha nova vida, tornando-se pedra angular. Tal como Cristo, que foi rejeitado e se tornou fundamento da fé, também estas raízes — testemunho da terra e do tempo — revelam a beleza que nasce da redenção”, acrescentou o pároco.

No interior da capela, “o olhar é naturalmente atraído pelo corpo de luz, um elemento arquitetónico e espiritual que domina o espaço. Ali, uma cruz em suspensão recorda o mistério da ressurreição, lembrando-nos que a fé não se detém no Calvário, mas caminha para a vida nova que brota do túmulo vazio”, disse o Padre Rui Araújo.

D. José Cordeiro afirmou que “não podemos ficar presos à dor do Calvário; somos chamados a viver o Ressuscitado, a luz que renasce de toda a sombra”-

“Esta cruz, que parece flutuar na luz, é uma metáfora da própria fé cristã: firme na sua origem, mas sempre aberta ao infinito, onde Deus habita e chama o homem à comunhão plena”, sublinhou o pároco de Faia.

A iluminação foi desenhada para “falar silenciosamente ao coração do crente”. Cada foco de luz, cada jogo de sombra e brilho, “evoca uma presença divina e comunitária. Há uma luz tripla que remete à Santíssima Trindade, uma luz quádrupla em memória dos Evangelistas, e uma luz múltipla que simboliza os Apóstolos, chamados a ser portadores da Boa Nova. Neste ambiente luminoso, o crente é convidado não apenas a olhar, mas a entrar no mistério, a deixar-se tocar pela Beleza que é reflexo de Deus”.

A celebração foi mais do que um momento estético ou arquitetónico. Nas palavras do Arcebispo, “inaugurar esta obra é um grito à paz, uma resposta espiritual a um tempo marcado por conflitos, divisões e incertezas”.

A Capela de Nossa Senhora do Amparo torna-se uma igreja de reconciliação, um apelo à fraternidade e à solidariedade, um lugar onde cada oração se eleva como semente de esperança no coração do mundo.

“Nada disto seria possível sem o esforço conjunto de todos: trabalhadores, artistas, técnicos e fiéis, que colocaram o seu talento, tempo e fé ao serviço desta causa comum. Cada gesto, cada pincelada, cada pedra colocada foi um ato de amor e pertença. Por isso, mais do que uma obra física, esta capela é uma obra espiritual e comunitária, testemunho vivo de que a fé, quando partilhada, transforma tudo o que toca. Em cada celebração, em cada oração, em cada olhar que se eleva ao céu dentro deste espaço renovado, ressoa agora o mesmo convite: “Vive o Ressuscitado. Sê luz. Sê paz.””, finalizou o Padre Rui Araújo.

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