Quarta-feira, Agosto 10, 2022
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Braga já tem sistema de deteção de Meteoros

© Centro Ciência Viva de Braga

O Centro Ciência Viva de Braga aderiu à rede europeia de deteção de meteoros tendo instalado esta semana o sistema “AllSky7” no Observatório Astronómico de Gualtar. O Sistema ficará inteiramente operacional em breve.

A rede AllSky7 foi iniciada em 2018 na Alemanha e contém, atualmente, estações em vários países: Áustria, Bélgica, Suíça, Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Hungria, Holanda, Noruega, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Eslovénia, Eslováquia, Reino Unido e Estados Unidos / Iowa.

O complexo sistema, composto por 8 câmaras de grande sensibilidade e de grande campo, recolhe dados em contínuo de todo o céu de modo a registar, em tempo real, a entrada de meteoros na atmosfera terrestre.

A rede permite depois triangular os dados de várias estações e de seguida calcular um enorme conjunto de parâmetros sobre os eventos registados. As câmaras permitem ainda fornecer dados das condições meteorológicas em cada local onde o sistema está instalado.
Um meteoro é um fenómeno que ocorre na nossa atmosfera, normalmente identificado como um traço luminoso de duração breve. São vulgarmente conhecidos como “estrelas cadentes” e resultam da entrada, a grandes velocidades, de pequenas partículas na nossa atmosfera. A altitude média típica da ocorrência dos fenómenos é de 90-100 km de altitude, na região da atmosfera terrestre denominada de Mesosfera – Termosfera. A duração temporal dos eventos visuais é usualmente inferior a um segundo mas, alguns eventos, denominados de bólides, podem durar vários segundos.

A origem dos meteoros resulta dos “restos” libertados de corpos de maiores dimensões do nosso sistema solar, como os cometas e asteróides. Estas pequenas partículas ficam a orbitar a nossa estrela, sofrendo interacções e perturbações, como todos os demais corpos do sistema solar, podendo depois colidir com a atmosfera terrestre com velocidades compreendidas entre os 30 e os 70 km/s.

O estudo dos meteoros permite-nos conhecer o espaço interplanetário nas vizinhanças da órbita terrestre, nomeadamente a distribuição, densidade e composição das partículas, a sua cinemática e dinâmica, entender as suas origens e prever períodos de maior atividade meteórica.

Para João Vieira, diretor do Centro Ciência Viva e responsável pelo Observatório Astronómico Bracarense “este sistema é o único no norte do nosso país. É mais uma área de trabalho no nosso observatório e mais um contributo que estamos a dar à ciência. Para além do importante contributo científico, desta nova valência, queremos potenciar a componente pedagógica, nesta área do saber, desenvolvendo atividades com os nossos visitantes nesta área fascinante da astronomia”

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