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As mulheres (ainda) pagam menos pelos seguros?

© João Ricardo Silva

Dia 8 de março, hoje é o dia internacional da Mulher, é tempo de uma reflexão sobre a relação das mulheres com os seguros.

Ainda nos dias de hoje sou várias vezes questionado se ainda é mais barato fazer o seguro em nome da mulher, ao invés do homem. Há uns anos a esta parte era possível a mulher pagar menos num seguro automóvel porque, de acordo com vários dados estatísticos, envolvem-se em acidentes com menor frequência, sendo consideradas de risco inferior.

“Mulher ao volante, perigo constante”. Será que é mesmo assim? Muita gente acredita que as mulheres são menos aptas a conduzir do que os homens. Mas não é o que as estatísticas indicam. Os índices e a psicologia mostram que as mulheres oferecem maior segurança ao conduzir, pois são menos agressivas e estão envolvidas em menos acidentes que o sexo oposto.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 1,2 milhões de pessoas morrem todos os anos nas estradas e mais de 50 milhões ficam gravemente feridas. A mesma organização indica que apesar das mulheres representarem cerca de 51% da população europeia, apenas são “responsáveis” por 24% das mortes nas estradas, deixando a restante percentagem (76%) para os homens. Por ano, e por cada milhão de habitantes, 95 homens morrem nas estradas da UE, comparando com 28 mulheres na mesma escala.

No entanto, e apesar destes dados estatísticos, a diferenciação nos prémios e nas prestações de seguros em função do género é proibida desde 21 de dezembro de 2012. Esta nova lei surge na sequência de um acórdão do Tribunal de Justiça que declarou inválidas aquelas excepções de discriminação em função do sexo, por violarem o princípio da igualdade, passando a vigorar o princípio da igualdade de tratamento entre homens e mulheres no acesso aos bens e serviços.

Apesar desta proibição, se houvesse uma avaliação de risco baseada em dados estatísticos rigorosos, obtidos e elaborados de acordo com as normas da entidade de supervisão, as seguradoras podiam fazer uma diferenciação, desde que fosse proporcionada. Assim, uma mulher e um homem com a mesma idade, que contratassem exatamente o mesmo seguro de saúde, de vida ou automóvel, poderiam pagar prémios diferentes. No seguro de saúde, a mulher pagaria mais por, estatisticamente, ter tendência a apresentar mais despesas, enquanto no seguro de vida, o homem seria penalizado por ter uma esperança de vida menor. Já o seguro automóvel poderia ser mais barato para condutores do sexo feminino que, segundo os dados, envolvem-se em acidentes com menor frequência.

Por mera curiosidade, fique a saber que em Portugal apenas uma mulher lidera uma seguradora. Maria Manuela Rodrigues, é a presidente da Lusitania Seguros e da Lusitania Vida, e já completou meio século de atividade.

E você, caro leitor, o que pensa do fim desta diferenciação de preços entre homem e mulher?

Artigo de João Ricardo Silva, Técnico Especialista em Seguros.

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