
A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) realizou esta quinta-feira, em Vila Verde, um jantar-debate “Portugal, de que é que estás à espera?”, que analisou os bloqueios históricos ao crescimento económico e discutiu caminhos concretos para reformas estruturais essenciais.
Embora o Orçamento do Estado para 2026 coloque a sustentabilidade económica no centro da discussão, o debate sublinhou que o país continua sem avançar com reformas estruturais profundas. Baixa produtividade, burocracia, complexidade fiscal, défice de capital humano, investimento privado reduzido e inovação limitada permanecem como travões ao desenvolvimento. Ao longo da sessão ficou claro que medidas pontuais não chegam: é necessária uma transformação transversal, orientada para a competitividade e para o reforço do tecido empresarial.
O debate evidenciou também o papel decisivo que as empresas podem assumir na condução desta mudança, contribuindo ativamente para influenciar políticas públicas e acelerar o crescimento sustentável. O painel contou com a presença do ex-autarca Rui Moreira, do Eurodeputado Francisco Assis e do empresário Carlos Palhares, sendo moderado pelo economista José Maria Pimentel, com enquadramento inicial de André Vasconcelos, Tax Partner na Deloitte, garantindo uma discussão plural, informada e orientada para soluções concretas.
O evento decorreu no Maison Albar Amoure, reunindo a comunidade empresarial do Minho num debate focado nos desafios e prioridades de reforma em Portugal. A diversidade de experiências presentes, desde a visão executiva autárquica, ao enquadramento político, conhecimento jurídico e à perspetiva empresarial, permitiu uma leitura abrangente e esclarecedora sobre os caminhos de transformação que o país precisa de assumir.
“Portugal está num momento crítico e decisivo. Vivemos uma conjuntura económica e orçamental tendencialmente positiva, mas movemo-nos em gelo muito fino, na medida em que as previsões de crescimento da economia e de estabilidade orçamental têm muito pouca margem para erros e incidentes inesperados. Por outro lado há um sentimento de descrédito total no funcionamento do Estado, que cada vez consome mais recursos às empresas e às pessoas, sem que desse consumo haja correspondência nos serviços que depois o Estado presta. Da justiça, à educação ou saúde, passando pelos serviços de Estado, há uma ineficiência funcional, orgânica e quase que já aceite como normal pelos cidadãos, provocando o seu afastamento e descrédito. Vivemos envoltos numa pantanocracia que nos atrasa, sufoca e limita. Há ainda um quadro legislativo desfasado da realidade, como se a bolha do poder corresse sozinha, alheada da realidade do país, da vida dos portugueses, em diversas dimensões. Somos ainda como empresários fustigados pela visão oportunista de pequenos setores que fomentam a clivagem com os trabalhadores, sem que desse exercício haja nenhum benefício para nenhuma parte, a não ser justificar a sua própria existência. Foi com este sentimento que é urgente lançar um debate frontal, desinibido e apartidário, que criamos este jantar debate “Portugal de que é que estás à espera”, onde juntamos pessoas que têm uma visão multidimensional, crítica, livre e esclarecida e que deram um contributo importante para este caminho que queremos continuar a promover. É por aqui que as empresas podem contribuir para a transformação de que Portugal necessita.”, refere Ramiro Brito, presidente da AEMinho.


