OpiniãoCHEGA de Braga mantém o pior que existe nos partidos

CHEGA de Braga mantém o pior que existe nos partidos

Artigo de Álvaro Rocha, Professor Universitário & World’s Top 1% Scientist.

© Álvaro Rocha

As recentes eleições para a Distrital de Braga do CHEGA podiam ter sido uma oportunidade para virar a página. Podiam ter servido para mostrar que o partido estava disposto a expurgar aquilo que há de pior na política portuguesa: o autoritarismo interno, o compadrio, a perseguição a quem pensa pela própria cabeça e a substituição da meritocracia pela fidelidade pessoal. Infelizmente, aconteceu o contrário.

A reeleição de Filipe Melo para a liderança distrital de Braga não representa renovação. Representa continuidade. E, na minha opinião, representa a continuidade de uma forma de fazer política que envergonha o distrito, empobrece o debate público e afasta pessoas sérias da intervenção cívica.

Filipe Melo é hoje deputado à Assembleia da República, mas a sua passagem pelo Parlamento tem sido marcada por episódios que pouco dignificam Braga. A política exige firmeza, sim. Exige combate de ideias, naturalmente. Mas exige também educação, urbanidade, respeito institucional e sentido de responsabilidade. Não é aceitável que um representante eleito confunda agressividade com coragem, provocação com liderança ou má educação com autenticidade.

Os episódios parlamentares associados ao seu nome — desde comportamentos impróprios em sessões de trabalho até polémicas enquanto membro da Mesa — são sintomas de uma postura que devia preocupar todos os bracarenses, independentemente da sua simpatia partidária. Braga merece deputados que elevem a região. Não merece deputados que a coloquem nas notícias pelos piores motivos.

Mas o problema não está apenas em Lisboa. Está também no distrito. Filipe Melo tem promovido, dentro do CHEGA de Braga, uma cultura política assente no medo, na ameaça e na obediência. Chamar “Judas” ou “traidores”, inclusivamente em público, a colegas de partido que discordam de si não é liderança. É intimidação. Dizer que quem não está consigo não tem futuro no partido não é estratégia. É caciquismo. E comportar-se como dono de uma estrutura distrital não é servir o partido. É capturá-lo.

O caso de Vila Verde é particularmente revelador. Elisabete Rodrigues, coordenadora concelhia do CHEGA, desenvolveu um trabalho extraordinário no concelho. Trabalhou no terreno, deu rosto ao partido, mobilizou pessoas e alcançou resultados políticos relevantes. Nas últimas autárquicas, a lista por si liderada à Assembleia Municipal obteve mais votos do que a candidatura de Filipe Melo à Câmara Municipal. Mais ainda: sob a sua liderança, Vila Verde conseguiu um dos melhores resultados do CHEGA nas legislativas e confirmou nas presidenciais uma implantação eleitoral que não nasceu do acaso, mas de trabalho, proximidade e persistência.

E qual foi a resposta da liderança distrital? Valorizar o mérito? Reconhecer o trabalho? Reforçar quem deu provas? Não. A resposta foi o afastamento político, a humilhação pública e a substituição da competência pela lógica do alinhamento pessoal.

É isto que muitos portugueses dizem rejeitar nos partidos tradicionais: os pequenos poderes, as capelinhas, os ajustes internos, os lugares dados por fidelidade e não por competência. O CHEGA prometeu ser diferente. Em Braga, pela mão de Filipe Melo, arrisca-se a ser apenas mais do mesmo — e, em certos aspetos, pior.

Um partido que nasceu a denunciar o sistema não pode reproduzir os vícios mais antigos do sistema. Não pode atacar o compadrio dos outros enquanto o pratica dentro de portas. Não pode falar de mérito enquanto castiga quem trabalha. Não pode exigir respeito institucional enquanto promove a falta de respeito como método político.

A Distrital de Braga do CHEGA precisava de uma limpeza política. Precisava de maturidade, humildade e sentido democrático. Em vez disso, escolheu manter o pior que existe nos partidos.

E Braga, sinceramente, merecia melhor.

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