
O ambientalista bracarense Carlos Dobreira apelou à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para que sejam canceladas ou alteradas as procissões e outras celebrações religiosas realizadas ao ar livre durante os períodos de calor extremo, alertando para os riscos que as elevadas temperaturas representam para a saúde pública.
Num apelo dirigido à CEP, Carlos Dobreira considera que a Igreja Católica “continua a insistir na realização de festividades cíclicas em horários desaconselháveis”, apesar das alterações climáticas e das ondas de calor que têm marcado os últimos verões.
Segundo o ambientalista, as previsões para o verão de 2026 apontam para temperaturas muito elevadas, defendendo, por isso, que missas, procissões, concertos e outras iniciativas ao ar livre sejam canceladas ou transferidas para horários mais frescos.
A proposta passa por realizar as celebrações religiosas entre as 07:30 e as 08:30 ou entre as 21:00 e as 22:00, admitindo também a possibilidade de serem realizadas entre as 07:00 e as 08:00 ou entre as 22:00 e as 23:00, consoante as condições meteorológicas.
Carlos Dobreira refere como exemplos diversas peregrinações e procissões realizadas nos últimos meses nos concelhos de Amares, Vieira do Minho e Braga, algumas das quais decorreram “durante as horas de maior calor”. O ambientalista destaca ainda as festividades de São Pedro, agendadas para este fim de semana em Soutelo, concelho de Vieira do Minho e Merelim São Pedro, em Braga, cujas procissões e celebrações estão previstas para a tarde.
No documento enviado à Conferência Episcopal Portuguesa, o ambientalista defende que a adaptação dos horários das festividades “é uma medida necessária para proteger participantes, fiéis e visitantes, face ao aumento da frequência e intensidade das ondas de calor provocadas pelas alterações climáticas”.


