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Braga suspende trotinetas elétricas partilhadas após 37 acidentes e 33 feridos em 2026

Atualmente existem cerca de 500 trotinetas partilhadas em funcionamento, distribuídas por 240 pontos de partilha.

© CM Braga

O executivo municipal de Braga decidiu revogar os acordos com os operadores de trotinetas elétricas partilhadas, suspendendo o serviço no concelho enquanto é criada uma nova regulamentação para a sua utilização no espaço público. A medida visa aumentar a segurança e reorganizar o uso destes equipamentos na cidade.

Segundo dados da PSP de Braga desde o início de 2026, foram registados 37 acidentes envolvendo trotinetas elétricas, dos quais resultaram 33 feridos — 31 ligeiros e 2 graves. Atualmente, existem cerca de 500 trotinetas partilhadas em funcionamento, distribuídas por 240 pontos de partilha no concelho.

Os operadores terão um prazo máximo de 60 dias para remover todos os equipamentos. Caso não o façam, a remoção poderá ser feita pelo município, com custos imputados às empresas.

O presidente da Câmara, João Rodrigues, destacou que a decisão procura equilibrar mobilidade suave e segurança, afirmando que a suspensão serve para “corrigir” e melhorar a regulamentação futura. O autarca referiu ainda que “trata-se de uma decisão necessária e inevitável” e que cabe ao município “agir quando a utilização destes meios gera prejuízos para a população”.

O vereador do partido político Filipe Aguiar, do CHEGA, manifestou apoio à decisão do executivo da Câmara Municipal de Braga de avançar com a rescisão dos contratos das empresas de trotinetas elétricas partilhadas na cidade. O eleito considera a medida “acertada”, embora tardia, sublinhando que o partido já defendia esta posição desde a campanha autárquica.

Segundo Filipe Aguiar, o CHEGA tem vindo a alertar para os problemas associados ao uso destes veículos no espaço público, incluindo trotinetes abandonadas em passeios, circulação em zonas pedonais, acidentes e falta de fiscalização. O vereador recorda ainda ter apresentado uma recomendação para rever os contratos de concessão, defendendo a sua eventual revogação, com o objetivo de reforçar a responsabilização dos utilizadores e proteger os peões, sobretudo idosos, pessoas com mobilidade reduzida e famílias com carrinhos de bebé.

O vereador da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, criticou a atuação do executivo municipal na gestão das trotinetas elétricas partilhadas, considerando que a decisão de suspender os protocolos representa “um reconhecimento da incapacidade da autarquia” em garantir o cumprimento das regras e a segurança no espaço público. Rui Rocha recordou que foi a própria Câmara Municipal quem licenciou e celebrou os protocolos com as empresas operadoras, defendendo que também lhe “competia regulamentar, fiscalizar e exigir o cumprimento das condições estabelecidas”. Na sua intervenção, afirmou que a proposta de suspensão constitui uma admissão de que “o município não conseguiu assegurar essas responsabilidades”.

O vereador sustentou que, perante essa realidade, a prioridade deve ser a proteção da segurança dos bracarenses, justificando o voto favorável à suspensão dos protocolos. Rui Rocha criticou ainda a falta de intervenção ao longo dos últimos anos, argumentando que a ausência de fiscalização tornou necessária a interrupção do serviço, uma vez que, no seu entendimento, o executivo “não reúne atualmente condições para garantir a utilização segura das trotinetas” na cidade.

O vereador do movimento independente Amar e Servir Braga, Ricardo Silva, justificou a abstenção na votação da suspensão dos contratos das trotinetas elétricas partilhadas com críticas à gestão do executivo municipal. O autarca considerou que a decisão representa uma admissão de falhas na monitorização do sistema ao longo dos últimos oito anos, acusando o município de “não ter fiscalizado nem acompanhado o cumprimento dos protocolos” pelas empresas.

Apesar de reconhecer a existência de problemas, Ricardo Silva defendeu que “a suspensão não resolve a situação”, uma vez que “não foram apresentadas medidas concretas de fiscalização ou regulamentação” para o futuro, justificando a abstenção como um “voto de confiança” para que o executivo apresente soluções eficazes.

A vereadora do Partido Socialista na Câmara Municipal de Braga, Martinha Rocha, justificou o voto favorável do PS à suspensão das trotinetas elétricas partilhadas, alegando que “existem falhas na fiscalização e incumprimentos” por parte das empresas, com situações de estacionamento irregular e circulação perigosa.

A vereadora defendeu que a suspensão “deve servir para repensar o modelo de mobilidade, sem afastar definitivamente as trotinetas da cidade”. O PS propôs ainda a criação de um grupo de trabalho para estudar uma solução mais regulada, segura e sustentável para Braga.

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