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Estudo liderado por investigador da UMinho redefine função das células que apoiam os neurónios do cérebro

Trabalho coordenado por João Filipe Oliveira sai hoje na prestigiada revista "Nature Neuroscience".

João Filipe Oliveira © UMinho

Um estudo internacional liderado por João Filipe Oliveira, do ICVS/Escola de Medicina da Universidade do Minho (UMinho), redefine a função das células que apoiam os neurónios do cérebro (astrócitos), associando-as também a processos-chave como sinalização intracelular, equilíbrio de neurotransmissores e comunicação com neurónios. A sua organização em múltiplas escalas espaciais e temporais sugere um papel central na regulação neuronal e que parece expandir a capacidade (os graus de liberdade) do cérebro para processar informação.

O artigo científico é publicado hoje na reputada revista “Nature Neuroscience“, tendo como coautores investigadores dos EUA, Japão e Alemanha, entre outros. O trabalho partiu de uma reunião desta equipa, inserida numa conferência da Sociedade Internacional de Neuroquímica organizada por João Filipe Oliveira no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da UMinho.

O trabalho examinou a complexa morfologia e diversidade molecular destas células em forma de estrela para entender a sua capacidade superior de comunicar com os neurónios e restantes células gliais nas múltiplas escalas espaciais, situadas entre as dezenas de nanómetros e os milímetros de tecido cerebral. Os astrócitos não são meras estruturas de suporte passivas, pois acumulam funções antes subestimadas que, por exemplo, podem variar consoante a patologia ou durante a evolução desta, refere João Filipe Oliveira.

Os autores antecipam que o seu novo quadro conceptual ajudará a orientar a investigação sobre o funcionamento saudável e patológico do cérebro. Ao melhorar a compreensão da organização e função dos astrócitos, os cientistas esperam obter novos dados de doenças neurológicas e psiquiátricas, tais como a doença de Alzheimer, a esclerose lateral amiotrófica ou a depressão. Grande parte do conhecimento em neurociências baseia-se em modelos de roedores mas os astrócitos humanos são mais complexos, pelo que o artigo sugere novos modelos que representem melhor essa complexidade.

João Filipe Oliveira considera que este trabalho destaca o percurso do ICVS-UMinho e de Portugal na neurociência global, evidenciando a capacidade de reunir investigadores de referência e criar novos paradigmas para orientar a investigação futura. Doutorado em Medicina pela Universidade de Leipzig (Alemanha) e coordenador da Rede Glial Portuguesa, este investigador de 45 anos natural de Monção já obteve vários apoios científicos (Marie Curie, La Caixa, Bial, FCT) e foi o único português entre 80 investigadores de todo o mundo a assinar a Declaração de Consenso sobre a Reatividade dos Astrócitos em 2021.

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