
A Universidade do Minho (UMinho) inicia amanhã as celebrações dos 50 anos do ensino regular de Informática, pioneiro no país e uma referência na área. A sessão de abertura decorre às 14:30, no auditório B1 do campus de Gualtar, em Braga, com as intervenções do reitor da UMinho, Pedro Arezes, do presidente da Escola de Engenharia, António Vicente, e do diretor do Departamento de Informática (DI), Luís Soares Barbosa.
De seguida, realiza-se uma mesa-redonda evocativa com os professores Alberto Proença, António Porto, Carlos Couto, José Esgalhado Valença, Pedro Guerreiro, Raúl Vidal, Senhorinha Fortunas e João Álvaro Carvalho (moderador). No final, vai ser inaugurada uma exposição comemorativa, no edifício do DI, que fica patente até abril de 2027.
O programa geral prossegue a 11 de abril, às 18:00, com o seminário “Os próximos 50 anos no ensino da Informática”, no Forum Braga. A sessão faz parte do Encontro Nacional de Estudantes de Informática, que espera esta semana 500 participantes. Já a 27 de maio, às 14h30, é a vez de representantes do tecido empresarial se juntarem para a mesa-redonda “Informática, inovação e o futuro”, no auditório B1. Este local acolhe depois a 2 e 3 de junho o “Workshop em engenharia de software apoiada por assistentes artificiais”, que envolve estudantes e vários peritos. Para setembro prevê-se uma festa com momentos de convívio entre academia, estudantes, alumni e empresas, enquanto no início de 2027 acontece um seminário sobre o futuro da investigação em Computação.
As atividades são abertas ao público e têm o apoio dos núcleos de estudantes de Informática (CeSIUM) e de Ciências da Computação (NECC) da UMinho, dos centros de investigação Algoritmi e INESC TEC, do Arquivo Distrital de Braga e de diversas empresas.
Marca gerações
A UMinho lançou em 1976-77 o curso de Engenharia de Produção – Ramo Sistemas, inédito no país, que incluía disciplinas como Linguagens de Programação, Sistemas de Computação ou Processamento de Dados, sendo o último semestre para um estágio na indústria, facilitando assim a integração dos alunos no mercado de trabalho. Este foi o embrião, quatro anos depois, da licenciatura em Engenharia de Sistemas e Informática (LESI) e, pouco mais tarde, da licenciatura em Matemática e Ciências da Computação, tendo ambas marcado sucessivas gerações de estudantes e gerado um vibrante ecossistema de inovação, que se tornaram uma imagem da UMinho, da região e de Portugal.
Esta oferta formativa cresceu e diversificou-se com sucesso. Ramos como os Sistemas de Informação consolidaram-se em novos departamentos, outros autonomizaram-se em novos projetos, como as Comunicações e, mais recentemente, as Ciências de Dados, a Informática Médica, a Inteligência Artificial, a Segurança da Informação ou a Computação de Alto Desempenho. Surgiram ainda cursos de fronteira com outros saberes, como a Bioinformática e a Engenharia Física, igualmente pioneira no ensino da computação quântica.
Este percurso foi escudado pela investigação e pela inovação produzidas de forma intensa e internacionalizada. Por exemplo, o DI organizou a primeira conferência nacional em WWW, alojou a primeira página institucional de Portugal e enviou a primeira mensagem de e-mail do país. Em simultâneo, procurou-se levar à indústria “não tanto o que ela quer, mas o que de facto precisa” e em conjunto, desde a criação da Datamatic nos anos 1970 até à criação de empresas-chave nos setores de segurança, sustentação da vida, processamento de documentos, bases de dados distribuídas, agentes inteligentes e engenharia de dados.


