
Este ano, a Queima do Judas de Vila do Conde, organizada pela Companhia Nuvem Voadora, arde em dose dupla: com as chamas que queimam o Judas e com o fogo eterno de Isabel Lhano.
A artista plástica vilacondense inspira a 21.ª edição do evento com os elementos da sua obra e os afetos da sua humanidade, unindo arte contemporânea e tradição, cultura e comunidade, num espetáculo multidisciplinar marcado para o dia 4 abril, no Centro de Memória de Vila do Conde. Em 2026, a primavera renascerá com mais força que nunca, em Vila do Conde, e em todos nós.
Uma das mais antigas Queima do Judas de Portugal
Há já 21 anos que a Nuvem Voadora celebra o ritual pagão de celebração da primavera com arte multidisciplinar, ironia e sátira refinadas e centenas de participantes, onde todos têm o seu papel principal: comunidade, artistas e público. Este movimento e momento artístico recupera a tradição praticada entre os vários bairros da cidade e integra-a na contemporaneidade com as linguagens do teatro, circo, artes plásticas, música, vídeo e fotografia. Neste espaço de encontro e expressão coletiva, privilegia-se a inclusão social e cultural, tornando o evento que arde os seus judas, uma das queimas mais expressivas do país.
Em 2026, o espetáculo da Queima do Judas de Vila do Conde ganha um tom mais profundo e tonalidades mais vibrantes ao homenagear a vida e obra de Isabel Lhano, a artista plástica vilacondense que partiu em 2023 e deixou uma obra fulgurante dedicada às temáticas do feminino, do humano, dos afetos e da justiça, na pintura e na arte de rua. A voz, o rasgo interventivo, as cores e as figuras da arte de Isabel, assim como o seu icónico cabelo cor de fogo, reverberam nesta edição como um manifesto, onde a arte contemporânea chega à comunidade e se mescla com a tradição, originando uma linguagem artística inovadora que enriquece a cultura local e nacional e projeta novos e férteis caminhos de criação.


