UMinho lança manuais grátis para produzir máscaras e outros equipamentos de proteção
Domingo , Outubro 25 2020 Periodicidade Diária nº 2615
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UMinho lança manuais grátis para produzir máscaras e outros equipamentos de proteção

A plataforma “Fibrenamics” da Universidade do Minho lançou uma coleção de manuais digitais gratuitos destinados à produção de equipamentos de proteção individual (EPI), nomeadamente máscaras, luvas, batas, aventais, toucas e cogulas. Estes “white papers” estão em www.fibrenamics.com, já superam os 10.000 downloads e vão sendo atualizados perante novas normas e sugestões. A Fibrenamics responde, assim, à escassez de informação técnico-científica neste âmbito e após ter recebido diversas solicitações de profissionais de saúde e da indústria.

Os tipos de proteção são descritos em função dos materiais, agentes de risco e processos envolvidos na sua confeção e certificação. No caso das máscaras, há três níveis de proteção: baixo (as máscaras sociais usadas pelos cidadãos), médio (para contacto direto com outras pessoas, como polícias, bombeiros ou comerciantes) e elevado (profissionais de saúde). Já as batas cirúrgicas para uso único ou múltiplo requerem elasticidade, biocompatibilidade, resistência, além de serem hipoalergénicas, não tóxicas e fáceis de vestir/despir.

Quanto às toucas e cogulas reutilizáveis, os materiais de eleição são misturas de algodão e poliéster; se forem descartáveis, sugere-se a confeção por ultrassons com não-tecidos, em formato fino e flexível. Em relação às luvas, podem ser de látex, borracha sintética, vinil, neopreno e nitrilo; para a sua validação mede-se aspetos como resistência a degaste, corte, rasgo, perfuração, radiação e o perfil ergonómico – por exemplo, o látex natural é ideal para a luva cirúrgica e de exame, permitindo excelente sensação e ajuste, mas pode provocar alergia.

Para Raul Fangueiro, coordenador da Fibrenamics e professor da Escola de Engenharia da UMinho, a ideia da coleção de ebooks foi clarificar e agrupar informação sobre a forma correta destes equipamentos de proteção serem construídos e utilizados. Os manuais permitem também orientar as entidades quem queiram entrar neste mercado. “Muitas empresas perceberam que na UMinho há fortes competências na área e temos sido contactados para desenvolver soluções inovadoras em conjunto”, realça Raul Fangueiro. O objetivo principal da produção dos EPI tem sido zelar pela segurança face ao risco. Porém, pretende-se agora que a maioria destes produtos seja reutilizável e reciclável, reduzindo a pegada ambiental. “Estamos a estudar novos materiais e condições”, acrescenta o também investigador do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da UMinho (2C2T).

A atual pandemia tem levado à procura exponencial de EPI por cidadãos de todo o mundo e à acelerada reconversão das empresas para a sua produção. O setor deverá ser impulsionado com o aumento das despesas governamentais na saúde, da consciencialização sobre segurança pessoal no trabalho, da promoção de fontes de energia renováveis e do uso crescente de materiais ecológicos. Segundo a “Fortune Business Insights”, o mercado dos EPI deve atingir 78 mil milhões de euros em 2026, com a Europa a seguir a líder América do Norte. Há fabricantes a colocar produtos de qualidade inferior para rentabilizar o momento, mas há também quem já pensa a longo prazo, como luvas de nitrilo biodegradáveis, que são facilmente descartáveis e reduzem o impacto ambiental.

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