
O primeiro mestrado em Ensino da Matemática da Guiné-Bissau iniciou-se esta semana, na Unidade de Formação de Tchico Té. Tem a coordenação científica da Universidade do Minho (UMinho), que foi representada na sessão inaugural pela professora Laurinda Leite, estando também presente a professora Teresa Malheiro. O curso é considerado um marco histórico e visa, prioritariamente, capacitar com o grau de mestre os docentes das diversas Unidades de Formação da Escola Superior de Educação que formam os futuros professores do ensino básico e secundário do país.
O mestrado responde a solicitações pertinentes que os docentes do ensino superior guineense fizeram em 2024 ao então reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, quando visitou algumas dessas Unidades de Formação. A UMinho está envolvida na criação, planificação e gestão científico-pedagógica do curso, que é também lecionado por docentes seus, nomeadamente da Escola de Ciências e do Instituto de Educação .
Trinta participantes na 1.ª edição
Durante dois anos, os 30 estudantes admitidos frequentarão, em regime intensivo (duas semanas) e presencial, seis pares de unidades curriculares, seguindo-se a elaboração da dissertação no domínio da matemática, da estatística ou da didática da matemática, sob orientação de docentes da UMinho. O curso constituirá um primeiro impulso para a investigação guineense naquelas áreas.
A Matemática é central em diversos campos, desde as engenharias às ciências económicas e tecnológicas. Para o diretor da Tchico Té, Ibrahima Djaló, o novo mestrado “é uma semente para a autonomia científica, a melhoria da qualidade do ensino e o desenvolvimento do país”, servindo de exemplo de cooperação científica e cultural para um mundo mais aberto, solidário e diverso. Já Laurinda Leite realçou que o curso vai fazer a diferença na qualificação dos futuros professores e ter reflexos importantes na formação de crianças e jovens guineenses.
Vários projetos no ensino guineense
Este é mais um projeto que, no âmbito da Reforma Curricular do Ensino Básico (RECEB) da Guiné-Bissau, a UMinho tem desenvolvido há uma década em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian (entidade financiadora do novo mestrado). Para o 1.º ciclo do ensino básico foram já experimentados, revistos e generalizados, a todo país, o novo currículo e os respetivos manuais para alunos e guias e materiais digitais para docentes; ações semelhantes estão em curso no 2.º ciclo, educação acelerada e final do pré-escolar. Em novembro passado nasceu ainda o primeiro mestrado da Guiné-Bissau: é em Língua Portuguesa e também na Unidade de Formação de Tchico Té. Este conjunto de iniciativas reafirma o compromisso da UMinho com a cooperação académica no espaço lusófono.


