Atualidade"Uma das figuras mais emblemáticas da comunicação". PCP recorda Cândido Mota

“Uma das figuras mais emblemáticas da comunicação”. PCP recorda Cândido Mota

Cândido Mota morreu hoje aos 82 anos.

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O PCP recordou Cândido Mota, que morreu hoje aos 82 anos, como “uma das figuras mais emblemáticas da comunicação”.

Militante do partido, Cândido Mota é lembrado pelo PCP como “um cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural”.

“O Secretariado do Comité Central do PCP expressa o seu profundo pesar pelo falecimento de Cândido Mota, militante comunista, e transmite às suas filhas, netas e restante família as suas sentidas condolências. Nascido em Espinho a 28 de Setembro de 1943, afirmou-se como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, cruzando uma carreira de excelência na rádio e televisão com um compromisso cívico e político inabalável. Militante do Partido Comunista Português, Cândido Mota tornou-se uma presença indissociável da Festa do Avante!, onde foi, durante mais de 35 anos, a voz anfitriã e o rosto do Palco 25 de Abril. Para os milhares de visitantes da Quinta da Atalaia, a sua voz tornou-se um símbolo de serenidade e entusiasmo”, refere o PCP.

“Reconhecido pela sua voz Cândido Mota foi, não apenas um locutor de sucesso, mas um cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural”, salienta o partido, considerando que se afirmou “como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, cruzando uma carreira de excelência na rádio e televisão com um compromisso cívico e político inabalável”, acrescenta.

Os comunistas referem que, a partir de 1965, Cândido Mota “afirmou-se como uma das vozes centrais do programa Em Órbita, que revolucionou o panorama musical nacional ao divulgar o melhor da música anglo-americana e, mais tarde, ao dedicar-se de forma didática à música clássica”.

“A sua consciência política manifestou-se cedo, tendo vivido por dentro o momento fundacional da democracia portuguesa ao encontrar-se nas instalações do Rádio Clube Português, o centro de comando do Movimento das Forças Armadas, durante a Revolução de 25 de Abril de 1974, onde permaneceu durante vários dias ao lado de colegas como Luís Filipe Costa e Joaquim Furtado, assegurando a continuidade das emissões que informavam o país sobre a queda da ditadura”, reforça o PCP.

O comunicado refere que em 1979 “alcançou uma popularidade massiva com o programa O Passageiro da Noite, na Rádio Comercial” e que entre 1986 e 1988 foi “uma das vozes relevantes da Telefonia de Lisboa, uma rádio progressista onde Cândido Mota se notabilizou num programa de entrevistas chamado Rua do Mundo e na leitura de uma rubrica diária sobre canção política, da autoria de Rúben de Carvalho, intitulada Panfletos”.

“Na década de 1990, Cândido Mota iniciou uma colaboração icónica com Herman José na televisão e na fase final da sua carreira, projetou programas que visavam combater o que considerava ser a forma mais sinistra de censura contemporânea – o conceito do politicamente correto -, defendendo uma rádio que fosse espaço de dúvida, crítica e transmissão de incertezas, em oposição ao mero entretenimento passivo. Para Cândido Mota, a comunicação devia ser uma ferramenta didática, informativa e formativa, essencial para a educação e cultura do povo, um princípio que norteou toda a sua vida pública e cívica até à sua morte“, finalizou.

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