Enquanto deputada municipal eleita pelo CHEGA, e enquanto mulher e mãe, não posso ficar calada perante a possibilidade de se usar saúde mental como “Cavalo de Troia” para agendas que nada têm de inocentes.
Não, não é a saúde mental que eu contesto. A saúde mental é demasiado séria para ser menosprezada. O que eu recuso é que, em nome de palavras bonitas como “equilíbrio emocional”, “bem‐estar juvenil” ou “prevenção do sofrimento psicológico”, se abra a porta a um projeto de desconstrução sexual, cultural e moral, embalado sob a forma de rede europeia, recomendações técnicas e boas práticas.
1. A Carta de Princípios não é neutra: laboratório de engenharia social?
A Carta de Princípios desta Rede está longe de ser um texto técnico e neutro. Faz desfilar, como se fossem evidências científicas, conceitos como “igualdade de género”, “diversidade cultural”, “inclusão de grupos vulneráveis”, “equidade social” e “justiça social”. É a gramática típica da cultura woke, em que, a reboque da “inclusão”, se usa vocabulário dos direitos humanos para justificar ideologia de género, reconfiguração da família e políticas migratórias que ignoram a identidade e a segurança das comunidades.
Quando vemos “migração” como eixo de trabalho prioritário em saúde mental, acompanhada da habitual retórica de diversidade cultural e inclusão, percebe-se o guião: a prioridade deixa de ser o cidadão bracarense, para passar a ser a gestão abstrata de grupos, identidades e narrativas. Eu não aceito ter os bracarenses em segundo plano, enquanto documentos e conferências discutem categorias ideológicas e indicadores de diversidade.
A minha visão é clara: a saúde mental constrói-se em torno de família, responsabilidade, pertença, raízes, fé, ordem e sentido – não em torno de teorias de género, relativismo moral e multiculturalismo sem integração. Não sou retrógrada: o passado não é um museu onde quero viver, é o património imaterial a partir do qual se constrói o futuro – família, moral cristã, raízes civilizacionais europeias. E não posso assistir calada à sua desconstrução em nome de uma suposta modernidade que, na prática, corrói aquilo que nos sustenta como pessoas e como comunidade.
2. A síndrome dos Observatórios: um cheque em branco financeiro e político
Esta Rede é mais um exemplo daquilo a que chamo a “síndrome dos observatórios ideológicos”. Cria‐se uma Assembleia Geral, um Secretariado, Grupos de Trabalho, Conselhos Consultivos com académicos, ONGs e “cidadãos com experiência vivida”. Depois vêm os relatórios, os planos, as recomendações, as plataformas digitais… Mas onde estão, nisto tudo, os valores que fundam a matriz europeia, ou as famílias que ninguém escuta quando se queixam daquilo que está a ser dito aos seus filhos em nome da “saúde mental” e da “diversidade”?