
O ato eleitoral do passado dia 12 marcou de forma profunda o panorama político do distrito de Braga. Aquilo que muitos descrevem como um verdadeiro terramoto eleitoral laranja alterou significativamente a correlação das forças partidárias, num distrito onde os quatro maiores concelhos, passarão a ser governados por coligações lideradas pelo PSD.
Em Barcelos o resultado foi claro. O principal partido da oposição sofreu uma derrota significativa, perdendo dois vereadores e registando uma preocupante sangria de influência nas freguesias. Por outro lado, e talvez com ainda mais simbolismo, assistimos infelizmente ao desaparecimento dos históricos BE e CDU da Assembleia Municipal. Isto representa uma mudança que evidencia a forte concentração do voto e uma redefinição da representação política local.
Enquanto movimento independente, o TB – TODOS BARCELOS não está imune a esta onda de mudança. Tivemos um mau resultado eleitoral que, reconhecidamente, fica aquém das nossas expectativas. Não tivemos a capacidade de converter em voto o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos e durante a campanha eleitoral. Foi um revés, sim, mas não uma catástrofe, pois conseguimos manter um deputado municipal, que é um sinal de que há Barcelenses que continuam a acreditar no nosso projeto de cidadania e proximidade. Como cabeça de lista à Câmara Municipal, assumo plenamente a responsabilidade por este resultado. A democracia é feita de escolhas e o povo de Barcelos falou de forma inequívoca. Não há votos bons nem votos maus, há apenas a legítima vontade dos cidadãos, que deve ser respeitada e honrada.
O TB – TODOS BARCELOS fará, com serenidade e espírito construtivo, uma análise interna sobre o resultado eleitoral, refletindo sobre o seu enquadramento e o papel que deverá desempenhar no futuro da vida política barcelense. Continuaremos a defender o que sempre nos motivou: a transparência, a participação cívica e o compromisso com o desenvolvimento do concelho.
Aos que venceram e atingiram os seus propósitos, os meus sinceros parabéns. Que saibam exercer os seus mandatos com responsabilidade, dedicação e plena consciência de que foram eleitos para servir todos os Barcelenses, sem exceções nem exclusões.
Aos que perderam, resta o dever da reflexão serena, da autocrítica construtiva e da perseverança. A democracia também se faz na oposição, na vigilância e na capacidade de continuar a lutar por ideias, valores e causas em que acreditamos. As derrotas são passageiras quando servem para calibrar trajetórias e reforçar convicções, e é com esse espírito de fair play e maturidade que devemos encarar o futuro.


