BragaMovimento Dignidade Académica denuncia degradação estrutural na UMinho

Movimento Dignidade Académica denuncia degradação estrutural na UMinho

Edifício CP1 sofre infiltrações "graves".

© Movimento Dignidade Académica

O Movimento Dignidade Académica alertou para a degradação das condições estruturais nos diferentes campi da UMinho, com especial incidência no Campus de Gualtar, em Braga.

De acordo com o movimento, o edifício CP1 sofre de infiltrações “graves” nos períodos de chuva. “Uma universidade democrática, inclusiva e participativa depende não apenas da qualidade pedagógica ou científica, mas também das condições materiais que permitem estudar, investigar e trabalhar com segurança e dignidade. Contudo, aquilo que deveria constituir o mínimo garantido à comunidade académica tem vindo a deteriorar-se de forma contínua e visível. Um dos exemplos mais claro verifica-se no edifício CP1 do Campus de Gualtar, onde, sempre que ocorrem períodos de chuva intensa, surgem infiltrações graves: água a escorrer por paredes e tetos, baldes distribuídos por corredores e salas, humidade persistente, tetos falsos deteriorados ou inexistentes e equipamentos de iluminação em risco de queda. Estas situações não são pontuais nem recentes”, disse o Movimento Dignidade Académica, em comunicado enviado à Braga TV.

© UMinho

O Movimento Dignidade Académica refere ainda que estas situações “repetem-se ano após ano sem solução estrutural visível e comprometem diretamente a realização de aulas, avaliações, investigação e atividades académicas. Os problemas ultrapassam largamente um único edifício e estendem-se a vários espaços universitários como as casas de banho frequentemente inoperacionais ou sem condições de higiene adequadas; a falta ou avaria recorrente de equipamentos básicos de apoio ao estudante (como micro-ondas em zonas de refeição); espaços sem condições de salubridade devido a humidade persistente; infraestruturas envelhecidas e manutenção reativa em vez de preventiva; parques de estacionamento manifestamente insuficientes face ao número de utilizadores e falhas no cumprimento dos contratos estabelecidos”. 

© UMinho

“A qualidade institucional não se mede apenas por indicadores formais, mas também pelas condições estruturais asseguradas à sua comunidade: estacionamento adequado, infraestruturas funcionais, serviços eficientes e comunicação criteriosa. O crescimento sem planeamento ou sem acautelar os impactos operacionais inevitavelmente conduz a cenários como o atual, penalizando precisamente aqueles que cumprem as suas obrigações para com a Universidade. A impossibilidade de garantir condições básicas de segurança e funcionamento afeta diretamente a qualidade do ensino e da aprendizagem, o bem-estar dos estudantes, a produtividade científica, a dignidade laboral de docentes e trabalhadores e a própria imagem institucional”, reforça.

O movimento de estudantes lançou ainda uma campanha pública de recolha de assinaturas com o objetivo de “exigir diagnóstico técnico transparente e público do estado estrutural dos edifícios; plano calendarizado de intervenção e reabilitação; comunicação regular com a comunidade académica sobre as obras; garantia de condições mínimas de segurança e salubridade nos espaços letivos e medidas previstas para a resolução dos problemas de estacionamento e prazo expectável para a sua normalização”.

O Movimento Dignidade Académica acrescentou que a UMinho apresenta “um orçamento anual global na ordem dos 230 a 260 milhões de euros. Contudo, o financiamento direto proveniente do Orçamento de Estado situa-se apenas em cerca de 90 milhões de euros anuais, correspondendo aproximadamente a 35%-40% do orçamento total da instituição. Isto significa que a maior parte do funcionamento da universidade depende de receitas próprias (e.g., propinas, projetos de investigação e prestação de serviços) tornando ainda mais relevante garantir que os recursos disponíveis se traduzem em condições estruturais adequadas para quem estuda e trabalha na instituição”.

O movimento apela ainda à participação de estudantes, docentes, investigadores, trabalhadores e estruturas representativas na campanha pública de recolha de assinaturas para “exigir condições dignas de estudo, trabalho e permanência na Universidade do Minho”. 

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