Investigadoras do INL vencem projetos de investigação para combater o Parkinson e cancro colorretal
Sábado , Dezembro 5 2020 Periodicidade Diária nº 2656
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Investigadoras do INL vencem projetos de investigação para combater o Parkinson e cancro colorretal

Jana B. Nieder, líder do grupo de investigação Ultrafast Bio and Nanophotonics, e Lorena Diéguez, líder do grupo de investigação Medical Devices, ambas investigadoras do INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, vão contar, nos próximos três anos, com o apoio da Fundação “La Caixa” para dois projetos distintos com um valor total de cerca de 2 milhões de euros.

O INL vai ser a instituição-sede do projeto “Diamond photonics platforms for synaptic connectivity assessment in healthy and Parkinson disease neuronal models” (Diamond4Brain), coordenado por Jana B. Nieder em colaboração com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (Portugal).

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente no mundo. Só na Europa, mais de um milhão de pessoas estão diagnosticadas com esta patologia, o que reduz a respetiva qualidade de vida bem como a de quem as rodeia. Atualmente, existem apenas algumas ferramentas de diagnóstico ou opções terapêuticas.

Este projeto vai aplicar as mais recentes tecnologias em mecânica quântica para medir mudanças na atividade e conectividade dos neurónios, através de nano-sensores de diamante que emitem luz fluorescente em resposta às mudanças na temperatura das células e no campo magnético.

Esta investigação, que obteve o apoio de 999.982 euros, caracteriza-se pelo recurso a uma tecnologia com elevada sensibilidade e vai ser testada em cérebros em miniatura (organóides) para validar a técnica em neurociência. Esta técnica vai permitir uma melhor compreensão da doença de Parkinson, melhorar o diagnóstico precoce, para além de permitir desenvolver tratamentos mais precisos e eficazes.

Outro projeto, que envolve a investigadora Lorena Diéguez, é liderado pelo Institut de Bioenginyeria de Catalunya, e coordenado por Elena Martínez, incluindo também Elena Elez, da Fundació Institut Investigació Oncològica Vall Hebrón (VHIO), ambos da Espanha.

O projeto “BioPrinted hydROgel MicrofluldicS to mimic patient-specific tumor mEtastatic microenvironment” (PROMISE), premiado com 981.675 euros, pretende ajudar os pacientes com cancro colorretal, que habitualmente apresentam um bom prognóstico quando o tumor é localizado de forma atempada.

A partir do momento em que o cancro se espalha e ocorre a metástase, as opções terapêuticas são limitadas e torna-se difícil prever a resposta do paciente ao tratamento oncológico escolhido.

Os novos métodos de bioimpressão em 3D permitem a geração de modelos de células tridimensionais que imitam a fisiologia humana para testar novas estratégias terapêuticas em laboratório. Esses modelos têm a vantagem de imitar com precisão o tumor específico do paciente e respetivo ambiente circundante.

Uma biópsia líquida pode monitorizar de forma não invasiva a resposta terapêutica em tempo real, através do estudo das células tumorais que estão na corrente sanguínea e que são responsáveis ​​pelo processo de desenvolvimento de metástases ou tumores secundários.

Este projeto, que combina a bioimpressão em 3D e técnicas avançadas de biópsia líquida num dispositivo “organ-on-a-chip”, tem como objetivo fornecer aos médicos novas ferramentas para entender e acompanhar em permanência a evolução da doença em pacientes com cancro colorretal metastático e, desta forma, melhorar a respetiva taxa de sobrevivência.

O “La Caixa” Health Research Projects 2020, é um dos programas de apoio a projetos científicos mais competitivos, com um orçamento global de 18 milhões de euros, tendo recebido 600 candidaturas, das quais apenas 25 foram selecionadas para este prestigiado prémio, o que representa uma taxa de sucesso de apenas 4%.

Os projetos selecionados vão agora ser executados até setembro de 2023, altura em que devem ser apresentados os resultados das investigações.