AtualidadeEsposende e Barcelos debatem futuro dos Cuidados Continuados

Esposende e Barcelos debatem futuro dos Cuidados Continuados

Encontro organizado pela ULS de Barcelos/Esposende juntou decisores, especialistas e juristas.

© CM Esposende

O Auditório S. Bento Menni acolheu, esta sexta-feira, a conferência “Entre a Clínica e o Social – Desafios Atuais da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”. O evento, organizado pela Equipa de Gestão de Altas da Unidade Local de Saúde (ULS) de Barcelos/Esposende, reuniu especialistas, juristas e decisores políticos num debate estratégico sobre a articulação entre a saúde e o apoio social, a integração familiar e a sustentabilidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Dando continuidade à matriz de reflexão promovida em anos anteriores sobre as respostas à dependência e ao envelhecimento demográfico na região, a edição deste ano focou-se na premência de respostas integradas num país onde a população vive mais anos, exigindo soluções de maior proximidade e dignidade.

Os trabalhos iniciaram-se com uma mesa de abertura que evidenciou o forte compromisso institucional das entidades envolvidas. Intervieram Tiago Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende (ULSBE), João Ferreira, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Braga e Hélder Sousa, vogal da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os responsáveis foram unânimes em apontar a necessidade de superar as barreiras burocráticas entre o setor da saúde e a vertente social para garantir a eficácia do sistema.

O debate contou com os contributos de Abel Paiva, coordenador da RNCCI, de Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Ana Paula Pereira, do Centro Distrital de Segurança Social e da jurista Paula Guimarães.

O primeiro painel abordou de forma frontal a “Atualidade da RNCCI”, esmiuçando os constrangimentos estruturais e operacionais que o setor enfrenta, bem como as perspetivas futuras para garantir a sua viabilidade financeira e logística. Já o segundo bloco focou-se nas dinâmicas práticas e éticas dos cuidados, debatendo a fronteira e a distinção entre a “situação clínica” e a “situação social”, a exigência de rigor e responsabilidade no registo clínico e as complexas implicações jurídicas associadas aos processos de maior acompanhado.

A sessão de encerramento desta Jornada de Reflexão e Partilha esteve a cargo do Vereador Filipe Pinheiro, da Câmara Municipal de Barcelos, e de Aurélio Neiva, vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, que proferiu um discurso focado na valorização humana e na responsabilidade coletiva.

O autarca começou por reconhecer a “coragem da organização em escolher um tema tão atual, exigente e humano”, sublinhando que cuidar “obriga-nos a olhar para as pessoas para além da doença, dos números e das estatísticas”. Confrontado com os desafios do aumento da esperança média de vida, Aurélio Neiva lembrou que “viver mais anos exige também mais respostas, mais acompanhamento, mais proximidade e mais dignidade”, dirigindo-se especificamente aos idosos, doentes crónicos e às suas famílias muitas vezes exaustas.

Num dos momentos mais emotivos da manhã, o vice-presidente de Esposende solicitou uma salva de palmas à plateia em homenagem aos profissionais de saúde, assistentes sociais, técnicos e cuidadores. “O vosso trabalho nem sempre é visível. Muitas vezes é silencioso, discreto, longe dos holofotes. Mas é absolutamente essencial. São vocês que garantem conforto quando existe fragilidade”, disse.

À margem do debate sobre as carências de recursos humanos e pressão sobre os serviços, o autarca deixou um recado claro aos decisores políticos. “Investir nos cuidados continuados não é um custo. É um investimento civilizacional. É uma demonstração da forma como escolhemos cuidar dos nossos cidadãos, sobretudo daqueles que mais precisam”, sublinhou.

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