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BragaEmpresa de Braga vence prémio por reabilitar tabuleiro da ponte Luiz I

Empresa de Braga vence prémio por reabilitar tabuleiro da ponte Luiz I

Grupo Casais.

© Grupo Casais

O Grupo Casais, de Braga, foi distinguido com o Prémio Nacional da Reabilitação Urbana pela candidatura da execução do projeto de obra pública “Reabilitação do Tabuleiro Inferior da Ponte Luiz I sobre o Rio Douro”, na categoria de Melhor Reabilitação Estrutural.

Esta intervenção consistiu no reforço da estrutura metálica existente e na construção de um tabuleiro em betão armado aligeirado, assente em carlingas e longarinas metálicas que foram integralmente substituídas. A componente arquitetónica característica da Ponte Luiz I foi “um fator fundamental” neste projeto, tendo sido preservada tanto forma e composição dos passeios como os gradeamentos, que foram mantidos, tendo sido apenas reforçados. Os candeeiros, em ferro fundido, que existiram em tempos, foram repostos na sua totalidade, mantendo o valor estético do património que outrora representou a Ponte Luís I.

Em termos de funcionamento mecânico da ponte também existiu intervenção, uma vez que foram requalificados os quatro aparelhos de apoio, correntes nas construções de pontes metálicas da época, tendo sido mantidas as dimensões e características dos materiais inicialmente utilizados. Foi realizada a inclusão de um aparelho oleodinâmico no encontro com o tabuleiro, que tem como principal intuito amortecer os efeitos oscilantes causados pelos transeuntes que fazem a travessia Porto Gaia, tanto no tabuleiro inferior como do superior.

“Trata-se de um projeto de intervenção única, projetada especificamente para esta obra, porém, pode servir de modelo para reabilitações do mesmo âmbito, a realizar sobre outras obras do Parque das Pontes metálicas portuguesas. Torna-se assim importante a utilização de técnicas mais antigas e de boa qualidade nas intervenções destas obras de arte, como foi o caso do processo de cravação de rebites utilizado nesta reabilitação”, refere o Grupo Casais.

Para além disto, a inovação e tecnologia, utilizadas através da modelação 3D na preparação da obra e a sustentabilidade foram  “prioridades neste projeto, nos casos em que não foi possível reaproveitar os materiais, por estarem muito danificados ou não serem reaplicáveis, foi feita a reciclagem dos mesmos, para incorporação em projetos futuros”.

Tendo em conta que esta é “uma obra classificada como Imóvel de Interesse Público e inserida no conjunto inscrito na lista da UNESCO”, a solução para a sua reabilitação teve em consideração recomendações aplicáveis a este tipo de imóveis, nomeadamente as “Recomendações para a Análise, Conservação e Restauro Estrutural do Património Arquitetónico” do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS).

Na sua 12.ª edição, o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana procurou distinguir as intervenções urbanas que, com múltiplas valências, ofereceram maior valia para a sociedade, analisando fatores como o contributo para a qualificação das cidades e o seu impacto na comunidade, o sucesso medido pela aceitação do mercado, o impacto e valor social e a capacidade de induzir a mudança no tecido urbano. Esta distinção distingue os projetos que privilegiam o restauro do património e as obras com maior inovação na reabilitação estrutural.

“Esta é uma intervenção que nos deixa muito orgulhosos, pois a Ponte Luiz I é um dos maiores ícones das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia e tem tido um impacto muito significativo no desenvolvimento da atividade turística destas cidades e na atividade económica. O Parque das Pontes metálicas portuguesas, ferroviárias e/ou rodoviárias, é numeroso, havendo muitas já com mais de 100 anos. É muito importante a utilização de técnicas de boa qualidade na intervenção para reparação e reforço de materiais centenários ferrosos não soldáveis, para manter o valor estético do património. Acreditamos que este prémio é o reconhecimento da dedicação a este projeto e daquilo que vemos como boas práticas para o setor”, afirma António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais, empresa construtora do projeto.

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