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Centro Nacional de Criomicroscopia Eletrónica vai ser criado no INL em Braga

Braga Media Arts

O INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, instalado em Braga, vai acolher um crio microscópio electrónico de última geração, preparado para a caracterização de amostras biológicas e farmacêuticas.

Este centro vai funcionar como Nó Central da Rede Nacional de Microscopia Eletrónica Avançada para as Ciências da Saúde e da Vida (CryoEM-PT), permitindo o arranque desta rede. Para além do seu nó central, a rede CryoEM-PT inclui nós regionais distribuídos por todas as regiões do Continente, os quais vão ter, num futuro próximo, equipamento destinado à preparação das amostras a analisar no Centro e ao processamento dos dados aí obtidos

O futuro Centro Nacional de Criomicroscopia Electrónica aplicada às Ciências da Vida e da Saúde vai permitir o avanço na investigação associada ao estudo do cancro, de infecções virais com especial interesse no SARS-CoV2, da resistência bacteriana a antibióticos, das doenças de Alzheimer e Parkinson, e ainda à concepção, desenvolvimento e administração de fármacos.

A iniciativa que levou à criação desta Rede Nacional foi iniciada em 2018 e contou com a participação de cientistas de 12 Universidades e Institutos nacionais do Norte a Sul de Portugal: Universidade NOVA de Lisboa, Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S, Universidade do Porto), Instituto Gulbenkian de Ciência, INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Universidade de Coimbra, Instituto de Medicina Molecular – João Lobo Antunes, Universidade da Beira Interior, Universidade de Évora, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e Fundação Champalimaud.

Para além destes cientistas e organizações, o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET) e várias empresas portuguesas incluindo a Bluepharma e a Bial, manifestaram, desde o início, o apoio e interesse numa futura utilização deste centro, com vista a potenciarem as suas capacidades em desenvolvimento de fármacos com a integração de estudos por crio microscopia eletrónica nos seus projetos atuais e futuros.

Novo centro representa evolução significativa para a ciência em Portugal

O processo para a aquisição e instalação do novo equipamento, cujo valor ronda os 2,1 milhões de euros, foi já iniciado, após a recente aprovação do financiamento ao abrigo do programa Portugal 2020. O investimento total previsto para o projecto aprovado é de quase 2,5 milhões de euros.

O INL, com sede em Braga, arrancou já com os trabalhos para preparar a chegada do novo microscópio. Este laboratório internacional, fundado em 2008 pelos governos de Portugal e de Espanha, tem uma larga experiência na aplicação da microscopia electrónica na área das Ciências dos Materiais, e também nas áreas das Ciências da Vida e da Saúde.

O INL dispõe de uma infraestrutura com características únicas, não só em termos de espaços com as especificações físicas e técnicas adequados para a instalação do crio microscópio eletrónico de última geração, assim como a existência de quadros especializados para a respectiva instalação e manutenção, factores que foram considerados determinantes para a atribuição dos fundos necessários à aquisição do novo equipamento e à criação do Centro Nacional de Criomicroscopia Eletrónica.

A estrutura criada vai ser uma mais-valia para o estabelecimento da cooperação entre as várias instituições nacionais e internacionais e na operacionalização da Rede Nacional de Microscopia Eletrónica Avançada para as Ciências da Saúde e da Vida.

Centro com características únicas em Portugal

De acordo com Paulo Ferreira, responsável pelo Centro de Microscopia Avançada, Imagem e Espectroscopia do INL e Coordenador da Rede CryoEM-PT, “este novo instrumento vai ter um impacto profundo, não só na investigação nas áreas das Ciências da Vida e da Saúde”.

Para Paulo Ferreira, “o CryoEM-PT, por ser o único do género em Portugal, vai permitir a realização de projectos com alto impacto científico, tecnológico e societal, mas também na economia nacional, em particular na região Norte, ao permitir um salto qualitativo na investigação científica, e ao estabelecer-se como um centro de investigação de referência e excelência nestas áreas para universidades, centros de investigação e empresas”.

Esta iniciativa recebeu um impulso e colaboração muito significativos também por parte dos investigadores do i3S – Universidade do Porto “que têm promovido de forma incansável a sua construção” realça Claudio Sunkel, diretor do i3S. “A estrutura criada será uma mais valia para o estabelecimento da cooperação entre as várias instituições nacionais e internacionais e na operacionalização da Rede Nacional de Microscopia Eletrónica Avançada para as Ciências da Saúde e da Vida”, acrescenta Claudio Sunkel.

Para Cláudio M. Soares, diretor do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa, outra das instituições da Rede CryoEM-PT, “dá-se um grande passo nos campos da biologia estrutural e biologia celular em Portugal, eliminando as desvantagens que o País tinha em relação a outros sistemas de investigação mais desenvolvidos”. Na opinião deste responsável, “este projeto foi conseguido pela perseverança da comunidade científica Portuguesa, que se soube federar e encontrar uma solução que vai servir todo o país”.

António Gonçalves, diretor de Investigação e Inovação da Bluepharma, que apoiou e participou, desde a sua génese, na criação do futuro Centro Nacional de Criomicroscopia Electrónica (CryoEM-PT), defende que “a aquisição deste novo crio microscópio eletrónico vai dar suporte a novas linhas de investigação, tal como ajudará a estudar e caracterizar as várias plataformas inovadoras de entrega de medicamentos, que estamos atualmente a desenvolver na Bluepharma”.

“O conhecimento científico pode trazer enormes ganhos para a nossa sociedade, como ficou demonstrado durante este último ano com a pandemia COVID-19”, afirma Erin Tranfield, responsável pela área de Microscopia Electrónica do Instituto Gulbenkian de Ciência e Presidente da Sociedade Portuguesa de Microscopia (SPMicros). “Este microscópio vai servir de apoio a muitos cientistas portugueses na investigação de um grande número de questões. O objetivo final é ter impacto na saúde dos doentes em Portugal e, potencialmente, em todo o mundo”, acrescenta.

Porta aberta a novas oportunidades de colaboração científica

O novo centro vai permitir, ainda, o estabelecimento de novas colaborações institucionais financiadas por fundos nacionais (Fundação para a Ciência e Tecnologia), Europeus (European Research Council, Marie Curie, EMBO) e internacionais (Howard Hughes Medical Institute, Fundação Bill & Melinda Gates) para além de reforçar as já existentes.

Paulo Ferreira refere que “a criomicroscopia electrónica é essencial para uma melhor compreensão dos processos fundamentais nas áreas das ciências da vida e da saúde, sendo também utilizada para a determinação da estrutura tridimensional de biomoléculas e vírus isolados, o que abre caminho ao desenvolvimento de novas terapias para múltiplas doenças, entre as quais a COVID-19”.

Em Portugal, as aplicações de microscopia eletrónica em Ciências da Vida e da Saúde, assim como em Ciências de Materiais estão amplamente difundidas. No entanto, os desenvolvimentos mais recentes em criomicroscopia eletrónica estavam, até agora, longe do alcance da comunidade científica nacional que, com o novo equipamento, passa a ter acesso aos desenvolvimentos mais revolucionários conseguidos com esta técnica, e que culminaram, em 2017, na atribuição do Prémio Nobel da Química a três cientistas – Richard Henderson, Jacques Dubochet e Joachim Frank – pela contribuição fundamental para o desenvolvimento da criomicroscopia electrónica aplicada a materiais de origem biológica.

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