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CDS Braga manifesta-se contra “centralismo” do Plano de Recuperação e Resiliência

CDS

Depois do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ter sido tornado público, a Comissão Política do CDS Braga encetou uma análise ao documento, seguida de uma reação pouco satisfatória ao seu conteúdo.

Para os centristas, a estratégia do referido documento verifica-se “bastante parca” para o território. “Já foram conhecidas algumas reações ao documento, destacando a intervenção da CIM Cávado que alude, e muito bem, à nítida falta de auscultação dos agentes do território, entre outros fatores decisivos para o desenvolvimento da região Norte. Esta preterição por parte do Governo já se tornou hábito no que ao Norte diz respeito. Mais uma vez, temos o centralismo a vigorar”, refere Altino Bessa, presidente do CDS Braga.

O centrista lamenta que os agentes do território Norte” não tivessem sido ouvidos para dar a conhecer as suas necessidades económicas”. “Infelizmente, esta inércia governativa para com a região Norte não me espanta. O erro mora, em primeira instância, no facto de não ter existido uma auscultação dos agentes do território, isto é, aqueles que realmente conhecem as necessidades prementes do terreno. Pasme-se que em todo o documento não há referência a Braga, ao Quadrilátero Urbano ou à região do Cávado enquanto territórios de conhecida proeminência nos planos demográfico, social e económico no quadro nacional. Este documento é, uma vez mais, prova de que a letargia impera. A ‘bom gosto’ deste Governo, temos centralismo e mais centralismo. Estímulos à competitividade e à capacitação do tecido empresarial e/ou incrementos em áreas como o desporto, o ambiente ou a cultura? Ficaram no esquecimento. Só contam para Lisboa e Porto”, disse.

Altino Bessa acrescenta que “se as entidades regionais fossem ouvidas, este embaraço governativo podia ser evitável. Bastava que envolvessem as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte, as Comunidades Intermunicipais, os Municípios e as associações empresariais para que se conseguisse, no efetivo, um documento equitativo que resultaria numa abrangência territorial. O documento pura e simplesmente centra-se numa franja do mapa nacional, excluindo outras regiões. Outra das questões que nos inquieta é a falta de ação focada no apoio às empresas, à inovação e promoção de coesão social. O documento esquece que o mundo empresarial é resolutivo para o bem-estar da economia. Sem o “vibrar” empresarial, a economia sufoca. Em plena pandemia e, já a cogitar um estado pós-pandémico, é só de uma tremenda irresponsabilidade não alocar financiamento direcionado para o mundo empresarial e da inovação”.

O também vereador municipal realça que as respostas sociais” têm que ser uma prioridade do PRR” e que o território “carece de respostas e de equipamentos que acompanhem o dinamismo económico e demográfico do concelho”. “Na pós-conjuntura pandémica dar-se-á uma ‘avalanche’ na Economia e o país não tem uma estrutura social capacitada para fazer frente às necessidades que já se fazem sentir no terreno. Os desafios que surgirão a nível social esperam-se de uma dimensão superior ao que estamos a viver agora. É preciso dar mais a este setor. Perde-se aqui uma oportunidade para apetrechar e melhorar a resposta social em todo o território nacional. Ainda há dias, a comissão política do CDS levou a cabo um webinar sobre o terceiro setor e o panorama descrito pelas entidades sociais que atuam no nosso território e que não é nada animador”, acrescenta.

O centrista falou ainda sobre a preocupação de como as instituições vão organizar-se para dar resposta ao “volume de trabalho que se aproxima no sentido de fazer face às inúmeras realidades sociais que surgem no concelho e no distrito de Braga”. Para o presidente do CDS de Braga, “é preciso criar estratégias e redes de apoio que assegurem suporte às instituições de apoio social”. Além disso, salienta ainda que “a rede viária é outra vertente que foi alvo de entorpecimento no PRR. Neste plano tinha que figurar a finalização da variante do Cávado, da ligação Frossos – Ferreiros, obra estruturante e estratégica com acrescida importância ambiental que reduzirá fluxos de atravessamento na malha urbana, minimizando os níveis de poluição e melhorando substancialmente a qualidade de vida da população por via da redução de ruído e da superior qualidade do ar”.

Para Altino Bessa, esta via estrutural “é importante” para o setor empresarial e de serviços de Braga, servindo o Parque Industrial de Pitancinhos e Adaúfe e de todo o setor industrial de serviços dos municípios de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro e até Ponte da Barca. Outra questão que o presidente coloca sobre o PRR é “a interface entre Braga-Vigo, sendo o Norte de Portugal e da Galiza, motores de competitividade, de inovação, de colaboração institucional e de reforço do espírito transfronteiriço”.

Segundo o presidente, as medidas para o crescimento económico da região não constam no PRR, lamentando que “a prioridade é sempre o tal centralismo. Tanto se fala em descentralização, todavia, na hora da verdade, fica esquecida”.

O presidente do CDS de Braga pede ao Governo uma revisão ao documento para incluir a região Norte e, assim, possibilitar o seu crescimento económico. “Urge uma reformulação do PRR para incluir estratégias de desenvolvimento para o nosso território nas vertentes chave. Espero que após viva voz da CIM Cávado, do edil camarário e outras entidades locais, o Governo encete uma avaliação do documento seguida da sua reformulação, permitindo, assim, uma distribuição mais equilibrada e consonante dos recursos disponíveis, indo ao encontro das aspirações do território nacional no seu todo”, concluiu.

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