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CDS Braga alerta para atraso nos tratamentos de reabilitação dos sobreviventes de AVC

Altino Bessa

O CDS Braga alertou para o atraso nos tratamentos de reabilitação dos sobreviventes de AVC.

Os centristas afirmam que mais de metade dos doentes que sobreviveram a um AVC ainda não conseguiram retomar os tratamentos de reabilitação e só um terço teve as consultas médicas de seguimento de “forma habitual”, dados que constam num inquérito realizado pela associação “Portugal AVC – União de sobreviventes, familiares e amigos”.

O inquérito contou com a colaboração de 823 doentes que revela uma “enorme dificuldade” no acesso a tratamentos de reabilitação e consultas.

Para os centristas, na semana em que se assinala o Dia Nacional do Doente com AVC, “importa incidir numa problemática que se verifica em algumas especialidades médicas. Apesar de insistirem na ideia de que o SNS está a fluir a nível de consultas e tratamentos, o certo é que na prática não se certifica a teoria. Há evidentemente um atraso de meses no agendamento de consultas, exames e tratamentos”.

Altino Bessa, presidente da Concelhia do CDS Braga, sublinha que “esta é uma realidade que está à vista de todos e tem que ser exposta”. “Aquando do primeiro confinamento, já tinha sido feito um inquérito semelhante, cujo resultado se mostrou desastroso. À época, 91% dos sobreviventes de AVC não tinham acesso a qualquer meio de reabilitação. Um ano depois, pouco ou nada mudou. Presentemente, apenas um em cada três inquiridos teve consultas médicas previstas para o seguimento após o AVC de forma habitual, 29% apenas teve acesso a teleconsulta, e 38% dos casos não teve acesso a nenhuma das formas alternativas, tendo as suas consultas canceladas ou a aguardar marcação”, afirmou o centrista.

Para o também vereador municipal, “este cenário manifesta-se desastroso e revelador do impacto nefasto resultante de má gestão por parte da estrutura governamental. Uma consulta em tempo útil ou a realização de exames e tratamentos de reabilitação habituais pode fazer a diferença e salvar vidas. Neste momento estamos a correr atrás do prejuízo e sem sucesso efetivo. Esta é uma questão abrangente a várias áreas hospitalares. Todos nós conhecemos alguém que necessita de consultas em especialidades, mas deparam-se com listas de espera com meses de atraso. A solução, muitas vezes, passa por recorrer ao privado na tentativa de acelerar o processo de diagnóstico e tratamento. Certo é que parte considerável da população portuguesa não tem recursos financeiros para recorrer aos serviços privados. Quando assim é, resta aguardar que as longas listas de espera avancem”.

“Quando apenas 26% dos sobreviventes de um AVC conseguiram retomar os tratamentos de reabilitação de forma idêntica à pré-pandemia, alguma coisa está muito mal. É urgente atuar em função de uma mudança realmente eficaz. A pandemia trouxe a ‘reboque’ uma série de obstáculos inesperados e no início, o caos instalou-se porque ninguém estava à espera desta conjuntura. Entretanto, volvido um ano, julgo termos tido tempo suficiente para organizar a desorganização. O plano de vacinação ou o tratamento de doentes com Covid-19 devem ser uma prioridade? Claro que sim. Mas não terão de figurar como prioritários todos os que necessitam de cuidados de saúde nas mais variadas especialidades?”, questiona Altino Bessa.

O centrista ressalva que as listas de espera prevalecem porque “não existem recursos humanos suficientes para fazer face ao número de inscrições”. “É preciso investir num SNS com maior capacidade de resposta. A conjuntura pandémica deve servir para melhorar a atuação no terreno com o desiderato de disponibilizar uma resposta mais eficaz para todos nós. Não pode ser admissível que tenhamos doentes à espera meses por tratamentos, consultas e/ou exames médicos. Para muitos de nós, a única alternativa é aguardar e esta espera pode resultar num desfecho menos otimista. É preciso agir de forma a colmatar as entraves que se fazem sentir diariamente no acesso aos cuidados de saúde”, finalizou.

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