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Câmara de Guimarães emite nota de pesar pela morte do professor Wladimir de Brito

Wladimir de Brito participou na resistência à ditadura e, enquanto militar, na Revolução de Abril de 1974.

© CM Guimarães

O Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, manifestou o seu pesar pelo falecimento do professor Wladimir Brito. 

Figura maior do pensamento jurídico e cívico no espaço lusófono, amplamente reconhecido como referência do direito internacional público e constitucional, Wladimir Augusto Correia Brito era natural da Guiné-Bissau. Foi criado em Mindelo, Vila do Conde. Construiu um percurso singular de compromisso com a liberdade, a democracia e o Estado de direito. Participou na resistência à ditadura e, enquanto militar, na Revolução de Abril de 1974, opôs-se depois aos regimes de partido único na Guiné e em Cabo Verde e viria a assumir um papel determinante como redator principal da Constituição de Cabo Verde de 1992, contributo maior para a consolidação democrática daquele país.

No plano académico, fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra e foi, mais tarde, professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, instituição onde exerceu relevantes funções de direção e coordenação académica, incluindo a vice-presidência da Escola, a direção da licenciatura em Direito, do mestrado em Direitos Humanos e do mestrado em Direito Judiciário, entre outras responsabilidades. O seu percurso distinguiu-se ainda pela investigação, pela produção científica, pela edição jurídica e por uma longa atividade de advocacia.

Ao longo da sua vida pública, Wladimir Brito foi ainda diretor e cofundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas por designação do Governo português, diretor da revista Scientia Ivridica e destinatário de várias distinções, entre as quais o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Primeira Classe da Medalha de Mérito atribuída pela República de Cabo Verde. Foi igualmente uma voz respeitada de cidadania e democracia e participou durante muitos anos na vida ativa da cidade de Guimarães.

“Guimarães despede-se, assim, de um homem de pensamento livre, de elevada cultura jurídica e de profunda intervenção cívica, cujo legado ultrapassa fronteiras e permanecerá ligado à defesa da dignidade humana, da liberdade e da justiça. A memória de Wladimir Brito perdurará como exemplo de independência intelectual, coragem democrática e serviço ao bem comum. Neste momento de dor, apresento à sua família, aos seus amigos, à Universidade do Minho, à comunidade académica e a todos quantos com ele privaram e aprenderam, em Guimarães, em Portugal e no mundo lusófono, as mais sentidas condolências”, pode ler-se na nota de pesar.

“Guimarães despede-se, hoje, de um homem de convicções, de coragem e de pensamento, cuja memória permanecerá ligada aos valores da liberdade, da justiça e da dignidade humana”, finalizou.

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