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Cabeceiras de Basto: Exposição perpetua “A Festa das Papas de S. Sebastião em Gondiães e Samão”

© CM Cabeceiras de Basto

Francisco Alves, presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, inaugurou esta tarde a exposição “A Festa das Papas de S. Sebastião em Gondiães e Samão”, uma iniciativa da autarquia, comissariada pela investigadora do CITCEM/FLUP Teresa Soeiro. Sobre esta temática, a Câmara Municipal editará, posteriormente, um livro.

A cerimónia, que decorreu no Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe do Museu das Terras de Basto, contou também com a presença da vereadora Carla Lousada, do presidente da Junta de Freguesia de Gondiães e Vilar de Cunhas, Manuel Ramos, da investigadora do CITCEM e comissária da exposição, Teresa Soeiro; da diretora do Museu de Alberto Sampaio, do Paço dos Duques de Bragança e do Castelo de Guimarães e colaboradora do Museu das Terras de Basto, Isabel Maria Fernandes; de Fátima Alves em representação da aldeia de Gondiães; e Cecília Carvalho em representação da aldeia do Samão.

Na oportunidade, o presidente da Câmara Municipal enalteceu a realização do estudo que esteve na origem desta exposição, referindo-se à Festa das Papas como “uma tradição muito enraizada e das mais antigas romarias do nosso concelho” em honra de S. Sebastião – ‘advogado da fome, da peste e da guerra’ – que se realiza de forma alternada ora em Gondiães, em anos pares, ora no Samão, em anos ímpares.

Agradecendo a presença de todos, Francisco Alves destacou os estudos que têm sido desenvolvidos em Cabeceiras de Basto com o objetivo de valorizar o território, o património, mas também as tradições locais.

Na oportunidade, a investigadora e comissária da exposição, Teresa Soeiro, evidenciou as particularidades desta romaria, realçando, como curiosidade, “a reflexão sobre a festa em contexto de pandemia” com a Covid-19.

O presidente da Junta de Freguesia de Gondiães e Vilar de Cunhas destacou “a grande importância da Festa das Papas para a população de Gondiães e do Samão que se empenha com afinco na organização do evento”.

Fátima Alves e Cecília Carvalho falaram aos presentes do modo como se preparam e se vive a Festa das Papas em cada um dos lugares, manifestando o seu “orgulho” nesta tradição tão genuína que representa as gentes serranas.

A exposição integra, para além de fotografias e textos explicativos, o andor de S. Sebastião, os potes onde se confecionam as papas, bem como representações da disposição dos alimentos na Festa das Papas em Gondiães e no Samão, sendo que no Samão as toalhas de linho são colocadas no chão, num campo destinado para o efeito, e em Gondiães as toalhas são colocadas em bancos de madeira na rua.

Reza a lenda local que, na Idade Média, os povos que habitavam a Serra da Cabreira foram assolados por uma peste que atingiu homens e animais. Para se verem livres da doença, os habitantes daquelas aldeias recorreram a S. Sebastião de quem eram devotos e que os terá libertado de tal ‘maldição’. Como forma de gratidão, as pessoas prometeram que daí em diante fariam uma festa e ofereceriam o que de melhor o povo tinha a todos quantos ali se deslocassem para honrar o Santo. Desde então, todos os anos, a promessa renova-se honrando um compromisso antigo. Os romeiros sobem a serra para venerar o Santo e provar a ‘mezinha’.

Este ano, em consequência da pandemia Covid-19, a Festa das Papas terá, uma vez mais, um caráter marcadamente religioso, com a celebração da missa em honra de S. Sebastião.

Esta exposição temporária estará patente ao público até maio de 2023 no Núcleo Ferroviário do Arco de Baúlhe do Museu das Terras de Basto.

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