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Braga: Projeto “Amigos do Convento” aposta na cultura em Real

Amigos do Convento

Ajudar na salvaguarda, valorização, dinamização, divulgação e promoção do conjunto monástico formado pela Igreja de São Francisco, Mausoléu de São Frutuoso e Convento de São Francisco de Real, em Braga, é um dos objetivos do projeto “Amigos do Convento”.

Trata-se de uma iniciativa cívica de cariz cultural encetada por um grupo de cidadãos empenhados em colaborar com as entidades oficiais na reabilitação daquele que é um dos baluartes da memória coletiva bracarense.

“Entendemos que no quadro do programa de reabilitação em curso, liderado pelo Município de Braga, em estrita colaboração com a Universidade do Minho – e em articulação com a Direção Regional de Cultura do Norte e a Paróquia de Real –, existe espaço para uma participação mais efetiva da sociedade civil. Sendo que o projeto ‘Amigos do Convento’, almejando a criação e desenvolvimento de uma nova centralidade cultural no concelho de Braga, perspetiva, justamente, ocupar esse espaço de participação cívica no âmbito do conjeturado plano de ‘Conservação, Valorização e Promoção do Convento de São Francisco de Real’. Intervenção essa que não vemos senão de forma construtiva e colaborativa com aquelas entidades, tanto mais que apreciamos os passos dados até ao momento como muito positivos”, sublinha Pedro Campos, mentor da iniciativa.

Depois de um período de reflexão e definição das prioridades a operar nesta fase inicial – e da apresentação oficiosa das respetivas intenções às entidades diretamente envolvidas na reposição da coesão espacial do conjunto monumental e em incutir-lhe uma renovada dinâmica –, o projeto “Amigos do Convento” está agora a apelar à adesão da comunidade, “processo dificultado pelas limitações que a pandemia da Covid-19 está a obrigar, por exemplo a impossibilidade da reunião presencial de pessoas, valendo por ora os meios de comunicação à distância e as redes sociais”. Não obstante, Pedro Campos prefere não ver nisso um problema maior, antes um contratempo, e até mesmo uma oportunidade, pois acredita que “particularmente em circunstâncias adversas, quem quer ir depressa vai sozinho, quem quer ir longe vai acompanhado”.

Como tudo começou

Foram milhares as vezes que passou no estreito Caminho da Ordem, rente aos muros do convento. Fazia-o de propósito, a caminho e na volta do trabalho, apenas para fitar a Igreja de São Francisco por breves momentos, em silêncio, como que em oração. Mas não foi esse tempo, o lugar sim, que inspirou Pedro Campos a fazer nascer o projeto “Amigos do Convento”. O ânimo brotou mais recentemente, há cerca de um ano e meio, quando se deparou com o que um dia escreveu José Saramago e que o fez pensar nisso pela primeira vez “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória”. “Sentia-me habitado por uma intensa e feliz memória, a do meu casamento, celebrado na igreja que todos os dias fazia questão de contemplar, lembrança essa que fez crescer em mim a vontade de agir e de aprofundar a ligação a um sítio de enorme valor histórico, patrimonial e cultural”, vincou o fundador.

Sobre a logomarca

A logomarca, e em particular o símbolo da cruz – de desenho propositadamente tosco –, foi beber à simbologia religiosa ostentada por São Frutuoso na época, tal como retratada na pintura que se encontra alojada na Galeria dos Arcebispos, em Braga. Procura remeter quem a vê para a realidade fundacional do primeiro convento existente no local. E, simbolicamente assim, numa espécie de analogia com o ato fundador e missão do projeto Amigos do Convento, dar-lhe continuidade.

“Aponta direções e aviva memórias de antigos caminhos. Fala, ao mesmo tempo, do passado e do futuro. E, porque incessantemente os procuramos, das encruzilhadas do presente. Aclama, como uma só realidade existisse, a história do Homem e de Deus. E, porque incansavelmente a buscamos, de Fé. Acredita que assim quiseram São Frutuoso, D. Diogo de Sousa e D. Rodrigo de Moura Teles – e tantos outros de quem a história não reza”, explicou.

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