
O Presépio Vivo de Priscos, em Braga, celebra este ano 10 anos de um projeto pioneiro de inclusão e reinserção social de reclusos.
Segundo a organização, o projeto “tem mostrado, de forma inequívoca, que a confiança, o trabalho e a dignidade são os alicerces mais sólidos para uma verdadeira mudança de vida”.
Desde 2015, mais de 70 reclusos de diferentes estabelecimentos prisionais participaram na construção e manutenção do Presépio Vivo de Priscos, num modelo de integração social que alia a fé, a cultura e a solidariedade ao “cumprimento de uma missão de justiça restaurativa e humanização do sistema prisional”.
O projeto nasceu de uma parceria entre a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e a Paróquia de São Tiago de Priscos, com o apoio do Município de Braga, que assegura o transporte dos reclusos através dos Transportes Urbanos de Braga. “Esta colaboração tem permitido criar condições para que pessoas privadas de liberdade possam trabalhar, aprender e recomeçar — ainda durante o cumprimento da pena. Os reclusos desempenham funções nas áreas da carpintaria, jardinagem, serralharia, manutenção e construção, contribuindo para a preparação e conservação do Presépio ao Vivo de Priscos. Trabalham em regime aberto, com horário regular, remuneração e acompanhamento técnico e pastoral, desenvolvendo competências laborais, disciplina, sentido de responsabilidade e relação com a comunidade”, acrescenta.
A organização revela que “ao longo desta década, nunca se registou qualquer incidente no âmbito da Brigada de Priscos — um facto que comprova o êxito deste modelo e a sua relevância na estratégia de reinserção prisional. Este exemplo mostra que a confiança, quando acompanhada de orientação e oportunidade, é capaz de quebrar o ciclo do crime e da exclusão. Mais do que uma iniciativa pastoral, o projeto de Priscos é um investimento real em segurança pública e em humanidade. A reinserção social dos reclusos é uma das formas mais eficazes de prevenir a reincidência criminal, reduzindo o risco de carreiras criminosas reincidentes e o consequente impacto social e económico. Sem investimento sério na reinserção, o país arrisca-se a ver crescer o número de delinquentes reincidentes — muitos deles com carreiras criminais cada vez mais graves. É urgente que o Estado reforce os mecanismos de incentivo às empresas, autarquias e instituições que acolhem e formam reclusos, promovendo uma verdadeira cultura de reabilitação e reduzindo o peso social e económico da criminalidade”.
Quem visita o Presépio ao Vivo de Priscos não está apenas a assistir a uma representação de Natal, mas está a participar num projeto de transformação humana. Cada donativo, cada presença, cada gesto de apoio contribui para que este programa continue a existir e possa dar novas oportunidades a quem mais precisa. O público torna-se, assim, parte ativa desta história de inclusão, ajudando a garantir a sustentabilidade de uma iniciativa que há 10 anos muda vidas, fortalece laços e devolve esperança.
O projeto “Mais Natal Priscos” é um exemplo concreto de que a reinserção funciona quando existe vontade, acompanhamento e compromisso.
“A comunidade local tem acolhido os reclusos com respeito e espírito de solidariedade, reconhecendo neles o esforço de mudança e o valor do trabalho que realizam. Ao longo destes 10 anos, a Paróquia de São Tiago de Priscos tem investido milhares de euros em salários, seguros, alimentação e equipamento de proteção, assegurando condições dignas e seguras para todos os participantes. O Presépio ao Vivo de Priscos é hoje um símbolo de esperança e transformação, que mostra que a justiça pode e deve ser também inclusão, confiança e reconstrução humana. Dez anos depois, esta experiência continua a inspirar comunidades e instituições, provando que é possível transformar o sistema prisional através da fé, do trabalho e da partilha”, finalizou.


