
No coração do Mercado Cultural do Carandá, em Braga, onde Souto de Moura desenhou proporções e luz, regressa uma das escolas de dança contemporânea mais emblemáticas do país. A Arte Total volta a casa. Mais do que um regresso físico, é um reencontro com o espaço e com a sua memória, um lugar que, há mais de 30 anos, faz da arte uma forma de pensar o corpo, educar para a liberdade e formar gerações de artistas e cidadãos.
O edifício, recentemente reabilitado, devolve à escola e à companhia dois estúdios, de 100m² e 150m², preparados para acolher um novo ciclo de criação, formação e experimentação artística. Este regresso simboliza a relação profunda entre dança e arquitetura, entre corpo e espaço.
Como explica Carolina Vieira, professora e bailarina, “a arquitetura torna-se parte da criação. A luz, as proporções e a materialidade do espaço influenciam o movimento e alimentam novas formas de expressão.”
Desde 1992, a Arte Total construiu um percurso singular, feito de persistência, partilha e inovação. Para Cristina Mendanha, diretora e fundadora da escola, “o que permanece inalterável é a essência: a visão da dança como arte de pensar o corpo e de transformar quem a pratica e quem a testemunha.” A escola tem sido um espaço de encontro entre gerações, um laboratório onde a dança se pensa e se reinventa, abrindo caminhos para novas linguagens e sensibilidades.
A Arte Total alia métodos reconhecidos internacionalmente, Royal Academy of Dance, Rambert Grades e Progressing Ballet Technique, a uma pedagogia que valoriza tanto o rigor como a emoção. Nas palavras de Gabriela Barros, professora e bailarina, “na Arte Total, educar para criar é unir disciplina e prazer, técnica e emoção, corpo e pensamento. A técnica é a base que sustenta a liberdade artística.”
A dança começa cedo na Arte Total, com jogos, improvisação e arte. Mais do que formar bailarinos, a escola forma pessoas. “A nossa missão é formar pessoas antes de formar bailarinos”, sublinha Gabriela Barros.

Através do movimento, as crianças aprendem a lidar com emoções, a ganhar confiança e a desenvolver concentração, foco e cooperação. O corpo torna-se um espaço de escuta e descoberta, um instrumento de aprendizagem e liberdade.
Na Arte Total, a técnica é acompanhada pela empatia. O ambiente nas aulas é de escuta mútua, respeito e proximidade. “Mais do que formar bailarinos, procuramos formar seres humanos atentos, sensíveis e confiantes”, afirma Carolina Vieira.
As famílias são parte desta comunidade viva, onde todos aprendem com todos. A diferença é celebrada, o erro é entendido como parte essencial da criação e o processo é tão importante quanto o resultado.
Com 33 anos de história, a Arte Total é um dos pilares da vida cultural de Braga. “A escola é um mediador cultural, aproxima as artes performativas dos cidadãos e forma públicos sensíveis, curiosos e participativos”, destaca Cristina Mendanha.
O regresso ao espaço de Souto de Moura reafirma este papel: um centro de criação, experimentação e formação que continua a inspirar novas gerações.
“O sonho que ainda falta dançar é o de consolidar Braga como uma cidade de dança”, afirma Cristina Mendanha. O renascimento da Arte Total em 2025 marca a afirmação de um legado e um novo ponto de partida. Com instalações renovadas e uma energia criativa reforçada, a escola reafirma-se como referência nacional na dança contemporânea, lugar onde arte, educação e comunidade se movem em uníssono.


