
A recente notícia divulgada pela Rádio Universidade do Minho, na qual João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, admite que o parque de instrução da Escola de Educação Rodoviária de São Vicente poderá, no futuro, ser transformado num parque de estacionamento ou num parque verde, merece uma reflexão séria, ponderada e ancorada na realidade vivida pelos residentes. Importa, desde logo, sublinhar que a Escola de Educação Rodoviária é um equipamento importante para a cidade de Braga. Cumpre uma função pedagógica relevante, é utilizada por várias instituições e desempenha um papel fundamental na educação rodoviária, sobretudo junto das crianças e dos mais jovens. Contudo, reconhecer a sua importância não significa ignorar as limitações do espaço onde atualmente se encontra.
Na minha opinião, este equipamento deveria ser deslocalizado para uma área mais adequada, com melhores acessos e maior capacidade de resposta a todas as entidades que dele usufruem. Paralelamente, deveria ser dinamizado e reestruturado, sobretudo ao nível da organização municipal, com uma programação anual clara, regular e articulada com escolas, associações e forças de segurança. Um equipamento com este potencial não pode continuar subaproveitado.
Relativamente ao uso do terreno atualmente localizado na Rua Padre António Freire, é importante abordar a questão do estacionamento com realismo. É verdade que uma solução de estacionamento não é, à partida, a opção mais ecológica. No entanto, é uma solução necessária naquele local específico. Braga enfrenta hoje um grave défice de estacionamento, e a freguesia de São Vicente tem sido particularmente fustigada por este problema. Na zona da Quinta das Cabanas, o estacionamento é uma dificuldade diária que afeta diretamente a qualidade de vida dos residentes, e só quem ali vive consegue compreender verdadeiramente a dimensão do problema.
Nesse sentido, a solução avançada pelo presidente da Câmara é, na minha opinião pessoal e enquanto residente em São Vicente, uma proposta que poderá agradar à população que rodeia o local, respondendo a uma necessidade concreta e antiga. Tornar a cidade mais verde é, sem dúvida, um objetivo fundamental, mas esse caminho deve ser feito através de uma estratégia global e equilibrada, encontrando outros espaços mais adequados para zonas verdes, sem descurar problemas estruturais que afetam o quotidiano das pessoas. Aliás, essa ambição pode perfeitamente ser concretizada noutros locais. Um novo terreno, por exemplo por detrás do Centro de Saúde de Infias, permitiria estruturar não só a área passível de construção, como também a criação de um parque verde adjacente, conciliando equipamentos sociais com espaços de lazer e contacto com a natureza. Por isso, não vejo qualquer problema nessa solução, pelo contrário, vejo nela uma oportunidade de planeamento mais inteligente e equilibrado.
Quanto à hipótese de instalar uma creche ou um centro de dia no atual terreno da Escola de Instrução Rodoviária, não me parece, de todo, a solução mais adequada. Trata-se de um espaço apertado, com limitações evidentes em termos de acessos e envolvente. Equipamentos desta natureza exigem condições específicas de segurança, mobilidade e conforto, pelo que faria mais sentido procurar novas soluções e novas localizações, caso o Executivo Camarário entenda e apoie esse investimento para a freguesia de São Vicente.
Por fim, importa não esquecer outra prioridade fundamental: a reestruturação da rede viária de São Vicente. Muitas das vias da freguesia necessitam de reparação urgente e de uma definição clara de prioridades. A mobilidade, o estacionamento e a qualidade das infraestruturas rodoviárias estão interligados e devem ser tratados de forma integrada, com planeamento e visão de futuro.
São Vicente precisa de respostas concretas, pensadas com quem lá vive e sente diariamente os problemas. A cidade de Braga só ganha quando as decisões são tomadas com equilíbrio, proximidade e sentido estratégico.


