
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, quebrou esta quarta-feira o silêncio sobre as polémicas relacionadas com as obras na sua propriedade em Odemira e com a movimentação de um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, assegurando que todas as decisões foram tomadas dentro da legalidade e que não existe qualquer indício da prática de crimes.
Numa conferência de imprensa, o governante afirmou que sempre assumiu as suas responsabilidades e garantiu não ter receio de prestar esclarecimentos. “Nunca tive medo, nunca me escondi, não é agora que o faria”, declarou, considerando ainda que “foram ultrapassados limites” ao associar o seu nome ao tráfico de droga.
Sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga e posteriormente movimentado por um empreiteiro que também realizou obras na sua propriedade, o ministro garantiu que “não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, ninguém foi beneficiado e não há ligação com o tráfico de droga”. Luís Neves assumiu que a decisão foi sua, classificando-a como um “ato de boa gestão”, por entender que evitou uma despesa de cerca de 150 mil euros ao Estado com a destruição do equipamento, assegurando que o material ficou guardado num local seguro.
Relativamente às obras na propriedade em Odemira, o governante rejeitou as informações divulgadas sobre alegadas intervenções em vários imóveis, afirmando que apenas foram realizadas obras numa propriedade durante a primavera de 2024. Acrescentou que recorreu a um financiamento bancário de 315 mil euros para suportar o investimento e negou ter adquirido terrenos “a preço de saldo”.
Quanto à utilização de madeiras provenientes da Infraestruturas de Portugal (IP), explicou que os materiais foram pagos à empresa pública e utilizados para construir mobiliário na propriedade, considerando tratar-se de uma prática semelhante à que muitos portugueses fazem nas suas casas.
O ministro abordou ainda a situação da piscina registada como tanque, explicando que a estrutura foi inicialmente construída como reservatório de água, mas sofreu alterações posteriores. Adiantou que já pediu à Câmara Municipal de Odemira a regularização da situação com caráter de urgência.
Luís Neves rejeitou igualmente qualquer favorecimento à empresa Construbarcelos nos contratos celebrados com a Polícia Judiciária, assegurando que os contratos representaram apenas uma pequena parte do total das adjudicações. Admitiu ainda que uma empresa em nome da sua mulher não foi registada junto da Entidade para a Transparência, mas garantiu que nunca existiu qualquer intenção de ocultar património.
No final da conferência, reiterou que voltaria a tomar a mesma decisão relativamente ao atrelado, por considerar que permitiu poupar dinheiro ao Estado, acrescentando que não vê qualquer motivo para vir a ser constituído arguido.


