
O presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, defendeu a criação de uma Área Metropolitana do Minho, considerando que a região deve dar um novo passo na cooperação entre municípios para ganhar capacidade de planeamento e de ação conjunta.
A posição foi assumida durante a conferência anual da Fundação Mestre Casais, subordinada ao tema “Olhar o futuro a partir do Pentágono Urbano do Minho”, realizada na Reitoria da Universidade do Minho, em Braga. O encontro reuniu responsáveis autárquicos, representantes do ensino superior e entidades regionais para debater os desafios comuns dos concelhos de Barcelos, Braga, Guimarães, Viana do Castelo e Vila Nova de Famalicão.
“Sou um defensor da Área Metropolitana do Minho. A região precisa de ganhar voz e isso só é possível se houver uma estrutura de coordenação”, afirmou Ricardo Araújo, defendendo que a cooperação entre os municípios deve evoluir para um modelo mais estruturado, capaz de potenciar decisões e investimentos conjuntos.
O autarca sublinhou que “juntos somos mais fortes” e considerou que chegou o momento de organizar um novo ciclo para a região, criando condições para planear e executar políticas comuns.
Como exemplo dessa colaboração, destacou o trabalho desenvolvido entre a Comunidade Intermunicipal do Ave e a Comunidade Intermunicipal do Cávado na preparação do novo concurso para o transporte público rodoviário, que será lançado em conjunto pelas duas entidades. Segundo Ricardo Araújo, esta parceria acompanha uma realidade já vivida diariamente pela população, marcada pela forte ligação entre os dois territórios.
Durante a intervenção, o presidente da Câmara de Guimarães associou ainda esta visão regional à estratégia de desenvolvimento do concelho, assumindo como objetivo inverter a estagnação demográfica. “Quero que Guimarães volte a crescer. Quero que Guimarães tenha mais gente, tenha mais jovens”, afirmou, apontando a habitação, a mobilidade, a diversificação económica e o emprego qualificado como fatores essenciais para atrair e fixar população.
A mobilidade foi identificada como uma prioridade estratégica, sendo considerada um elemento determinante no acesso às oportunidades e na coesão territorial.
A conferência contou também com a participação do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Álvaro Santos, que defendeu uma nova cultura assente na cooperação entre municípios, considerando que os atuais desafios ultrapassam a capacidade de resposta de cada concelho isoladamente.
Na mesa dedicada ao ensino superior participaram ainda o reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, a presidente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Alexandra Malheiro, e o presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, que defenderam um reforço da coordenação e das complementaridades entre as instituições e os territórios.
Promovida pela Fundação Mestre Casais, a iniciativa centrou o debate na cooperação como instrumento para o desenvolvimento sustentável e o futuro do Pentágono Urbano do Minho.


