
Pela primeira vez em Portugal, foi realizada uma inserção de implante coclear assistida por braço robótico, com recurso às ferramentas cirúrgicas de elevada precisão OTOARM e OTODRIVE, desenvolvidas pela MED-EL, empresa líder em soluções de implantes auditivos.
O procedimento, considerado um marco na cirurgia otológica nacional, foi realizado pela equipa de Otorrinolaringologia da Unidade Local de Saúde de São José, em Lisboa, e representa um avanço significativo na procura de melhores resultados auditivos para os doentes. A utilização destes sistemas inovadores permite aumentar a precisão, a estabilidade e o controlo durante a intervenção cirúrgica, contribuindo para procedimentos complexos mais seguros e eficientes. Ao mesmo tempo, ajuda a reduzir a exigência física sobre o cirurgião, sem substituir o seu critério clínico, experiência e destreza manual, que continuam a ser determinantes na cirurgia otológica.
Na colocação subcutânea de um implante auditivo, a inserção do elétrodo representa uma das fases mais exigentes do procedimento cirúrgico. A tecnologia desenvolvida pela MED-EL permite realizar esta etapa com uma velocidade mínima de 0,1 milímetros por segundo, mantendo uma pressão reduzida e uniforme e eliminando movimentos indesejados.

“Este procedimento exige uma precisão extraordinária: um avanço lento, constante e controlado, que proteja as delicadas estruturas internas da cóclea de variações tão mínimas como o batimento cardíaco do cirurgião. Apesar da elevada qualificação dos profissionais, o fator humano tem limitações naturais quando se trata de manter velocidades de inserção tão minuciosas e constantes durante vários minutos. Foi precisamente para apoiar os cirurgiões na superação dessas limitações que a nossa tecnologia foi concebida, permitindo realizar cada implante com a máxima precisão e segurança”, afirma Julio Rodrigo Dacosta, diretor-geral da MED-EL para Espanha e Portugal.
Estas capacidades de inserção ultras suaves e de extrema precisão “melhoram significativamente a preservação das estruturas mais delicadas da cóclea, algo essencial quando o objetivo é conservar ao máximo os resíduos auditivos do doente”. Desta forma, “aumentam as probabilidades de preservar estruturas do ouvido interno, o que pode favorecer uma recuperação mais rápida e a manutenção parcial da audição residual do doente”.
Graças à estabilização milimétrica proporcionada pelo OTOARM e ao micromovimento guiado do OTODRIVE, os profissionais de saúde conseguem abordar até os procedimentos mais complexos com maior confiança, controlo e precisão. A assistência robótica “permite uma inserção mais suave do que as técnicas manuais tradicionais e contribui para reduzir significativamente o trauma cirúrgico”.
Esta inovação assume particular relevância para doentes que ainda preservam audição nas frequências graves, mas que não obtêm discriminação auditiva suficiente com um aparelho auditivo convencional. Nestes casos, a possibilidade de combinar estimulação elétrica e acústica, preservando a audição residual, abre novas perspetivas para uma experiência auditiva mais completa, natural e personalizada.


