
A nova circular rodoviária externa e a suspensão do BRT foram discutidos na Reunião de Câmara desta segunda-feira. O presidente da Autarquia garantiu que o dinheiro do PPR “não está perdido” e que a ligação do BRT a Guimarães e à futura estação de alta velocidade são “prioridades” para a mobilidade.
Rui Rocha, vereador da Iniciativa Liberal, descreveu a suspensão da linha vermelha do BRT como “uma enorme trapalhada”. “Nós queremos saber mais, queremos saber que responsabilidades é que vêm do adiamento ou da anulação do BRT que estava previsto, e que expectativas e previsões existem para a linha de BRT de ligação a Guimarães. Para nós, não é solução. Queremos saber se, no meio disto tudo, o Município perdeu dinheiro, se vai ter que pagar indemnizações, se vai ter que pagar responsabilidades. Há aqui uma questão que também me parece evidente. Há um conjunto de equipamentos já adquiridos que eram para esta linha e que agora, suponho eu, se vai dizer se ficam ou não para a linha de Guimarães. Os tempos não são compatíveis. Esses equipamentos vão ficar parados durante anos até à conclusão desse projeto. Portanto, há aqui muitas questões a esclarecer e, para já, para além da boa notícia que é a Variante do Cávado, temos uma enorme trapalhada que é o BRT”, referiu o liberal.
Já Filipe Aguiar do CHEGA diz não ter ficado esclarecido com o BRT. “Não ficámos esclarecidos porque o presidente não deu indicação da dimensão do valor que o Município vai ter que pagar com esta situação do BRT. Obviamente que há contratos já firmados, as empresas vão ser ressarcidas de não executar a mesma obra e, como tal, é importante para nós. Vamos aguardar e vamos pedir novamente se nos for enviado, qual é a dimensão do valor que representa. Para nós foi positivo a reversão desta obra porque, como nós dissemos várias vezes na campanha, esta obra não iria tirar um carro à cidade de Braga e, ao suprimir uma via para os automóveis, obviamente iria criar um caos muito maior do que o atual em vivemos diariamente em Braga”, sublinhou.
Ricardo Silva, vereador do movimento independente do Amar e Servir Braga, afirmou que a linha vermelha do BRT “morreu” e questionou João Rodrigues como se abdicam de 76 milhões de euros de financiamento garantido pelo PRR “a troco de nada”. “Há aqui uma associação que hoje passa a ser uma realidade. O BRT Linha Vermelha morreu e, portanto, a partir deste momento nós podemos fazer o funeral ao BRT da Linha Vermelha, tendo em conta que perdeu-se a vontade, perdeu-se o financiamento e perdeu-se a estratégia de mobilidade para a cidade de Braga, aquela que havia sido anunciada em período de campanha em que todos tinham-se manifestado contra e, até aqui, só no modo de opinião quem de facto não a tem, a verdade é que é de salutar esta mudança de opinião porque pode haver de facto aqui uma melhor estratégia para a mobilidade. Mas não é lícito, aqui é o ponto crítico. Como é que se abdicam 76 milhões de euros a troco de nada? Não vale a pena dizer que nesta fase há um investimento maior para a variante do Cávado ou para toda a Variante, para a circular externa, e que ainda vai haver mais dinheiro para a linha BRT Guimarães”, sustentou o independente.
Por seu turno, Pedro Sousa, vereador do PS, saudou o apoio para o novo projeto, uma obra “fundamental para retirar o trânsito pesado das zonas mais pressionadas do concelho”. “Saúdo, sem nenhum pejo, o trabalho do presidente da Câmara junto dos órgãos do Governo para que haja um investimento nacional, pujante, forte e importante, numa obra que é central e fundamental para a questão do trânsito rodoviário na cidade. O Partido Socialista, ao longo do último ano, em particular, deixou muito claro que não era o BRT, nem este projeto de BRT, que iria retirar um dos problemas maiores da questão do trânsito no concelho, que é a questão do trânsito de atravessamento que nada quer com a cidade, que vem de fora da cidade e que acaba por ter de passar nas zonas mais pressionadas da cidade e do concelho, porque não tem alternativas de saída e, portanto, era muito importante recuperar o projeto da circular externa de Braga e dar-lhe uma solução”, frisou o socialista.
João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, salientou que a oposição “reconheceu aquilo que o Executivo conseguiu”, referindo-se ao investimento para a nova Circular Externa e na ligação BRT a Guimarães e à alta velocidade.
“Quem até agora foi determinadamente contra a construção da linha vermelha do BRT e de repente, quando dizemos que suspendemos a linha vermelha do BRT em benefício de um investimento muito superior àquele que estava previsto para a construção da linha vermelha do BRT, confesso que não consigo perceber, consigo perceber a preocupação por se terem assumido responsabilidades, que são todas elas discutíveis e trabalháveis, mas objetivamente, eu não consigo perceber onde é que está a discórdia neste assunto. Eu ouvia pelo menos dois vereadores a dizerem que com o fim do BRT deixa de haver uma estratégia de liberdade para Braga, mas então o que é que queriam? Vou voltar a perguntar. Queriam a linha vermelha do BRT? É que se queriam, digam. Houve vereadores que se manifestaram determinadamente contra. Houve vereadores e candidatos, à altura na campanha eleitoral, que se manifestaram contra, mas que abriam caminho a outras soluções. Depois ainda há um terceiro género, que é, quem é contra, mas também não dá solução nenhuma”, finalizou o autarca.
Na Reunião de Câmara foi ainda aprovada a intervenção para o estabelecimento escolar da Quinta da Veiga, num investimento de quatro milhões de euros.


